Peru: impedimento do presidente é arquivado

22 de Setembro de 2020, por IELA


Com a economia em frangalhos e uma das mais altas taxas de infecção por coronavírus do mundo o Peru passou por momentos de turbulência legislativa na votação do impedimento do presidente Martín Vizcarra. Na última sexta-feira,  foi arquivada a moção que pedia o afastamento do presidente por incapacidade moral. As denúncias se basearam em três áudios, dois com gravação de conversas entre o presidente e seus assessores sobre como barrar determinadas investigações feitas pelo Ministério Público relacionadas com a contração de um cantor, apoiador de Vizcarra, para fazer conversas motivacionais durante a pandemia. E o outro de uma ligação entre uma secretária do governo de Vizcarra com Richard Cisneros, o cantor em questão, um dos principais envolvidos na investigação do MP. Com base nisso, alegando obstrução da Justiça, o Congresso deu entrada na moção de impedimento.

A moção foi apresentada com 26 assinaturas e no dia 11 de setembro o Congresso aprovou sua admissibilidade por 65 votos contra 36, mais 15 abstenções. O presidente Martín Vizcarra foi convocado então a fazer sua defesa. Ele pediu desculpas e seu advogado assegurou a ilegalidade da gravação dos áudios. Na última sexta-feira aconteceu a votação que definiria a situação do mandatário, sendo necessária uma maioria qualificada para decidir pelo impedimento. O Congresso peruano tem 130 membros, logo seriam necessários 87 votos para garantir que o presidente fosse destituído. 78 votaram contra a moção (a favor do presidente), 32 votaram a favor da moção e 15 se abstiveram.

Sem a maioria qualificada a moção foi arquivada e o presidente segue governando. Vizcarra ainda tem mais dez meses de mandato e embora o impedimento não tenha passado, está bastante desacreditado na opinião pública.