O duplo sequestro da Venezuela e a guerra do Irã
Texto: Ana Esther Ceceña Observatório Latino-Americano de Geopolítica
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Abrimos o ano de 2026 com mais um número da Rebela e duas novidades. Primeiro que a Capes divulgou a classificação Qualis das revistas, referente ao triênio 2021-2024, e a Rebela passou de B1 para o estrato A4. E a segunda é que voltaremos à publicação de três números ao ano, muito em função do grande volume de textos que têm chegado. Isso é bom, pois significa que mais gente está pensando a América Latina criticamente.
Nesta edição começamos com o texto de Marlon de Oliveira Xavier e Géssica Carolina Goulart Pinto, “A dependência como causa contra-arrestante permanente da queda da taxa de lucro: um estudo a partir de Marx e da Teoria Marxista da Dependência”, com o objetivo de demonstrar que um dos motivos para as crises de capital derivadas da queda da taxa de lucro não serem fulminantes é a atuação da relação de dependência como uma forma de amortecimento. O segundo artigo é “A Diplomacia da Folha de Coca: Identidade Cultural e Política Externa na Bolívia de Evo Morales (2006-2013)”, produzido por Julia Barboza Rino e Bruno Pasquarelli, no qual analisam a política externa da Bolívia nos dois primeiros mandatos do presidente Evo Morales (2006-2013) a partir da reivindicação do direito sobre o cultivo da folha de coca em território nacional. Diogo Oliveira Silva traz o texto “O Agronegócio: discurso, condições de emergência e impasses de uma hegemonia”, investigando as condições de emergência da construção da identidade do agronegócio a partir de um suporte da teoria do discurso pós-marxista e sua articulação com uma economia política. O quarto texto é de Vinícius Azevedo, “O marxismo e as civilizações pré-colombianas”. Nele, apresenta contribuições de Marx e Engels para o estudo das civilizações pré-colombianas, notadamente a inca e a asteca, tomando como subsídio as anotações, escritos e excertos de obras dos autores de referência. Em seguida, Igor Dantas apresenta “Caracterização político-organizativa e da estabilidade dos governos Gabriel Boric no Chile e Gustavo Petro na Colômbia”. Com base na tipologia de partidos de esquerda presente na obra “Vitórias na crise”, de Fabrício Pereira da Silva e na teoria de instabilidade presidencial de Aníbal Pérez-Linán, o artigo busca entender como se portam esses governos, como foi o processo eleitoral e a trajetória até que suas coalizões chegassem ao poder e possíveis riscos de queda.
Seguindo os artigos temos o texto “O Ocidente e o Sul Global: A disputa pela primazia no Sistema Internacional e a busca por uma Nova Ordem Mundial”. O trabalho é escrito a cinco mãos por Richard Rodrigues de Souza Silva, Maria Eduarda Maia dos Reis, Evelyn Ariel Cardoso Barbosa, Mariana Borges Neres Santana e Emanuelly Araújo Ferreira e procura demonstrar como a reeleição de Donald Trump intensifica as tensões históricas entre os Estados Unidos e o chamado Sul Global. Na sequência, o texto é de Marc Arthur Bien Aime e Julio Moreira, “A irregularidade constitucional da diáspora haitiana: degeneração sistêmica e migração forçada”, e visa explorar como a irregularidade constitucional e a degeneração sistêmica no Haiti têm impulsionado a migração de populações vulneráveis, particularmente a diáspora haitiana, para destinos como Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa, sob a ótica de saúde e trabalho. Por fim, Guillaüme Hatschebach e Ana Josefina Ferrari trazem o artigo “Seu canto é bonito quando tem luar: ética prático-cotidiana em quatro itans”, propondo através da análise de quatro itans da Orixá Iemanjá (220, 221, 230 e 231, do livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi (2023)), evidenciar elementos desta ética subalternizada que circula fundamentalmente nos terreiros de candomblé e entre seus praticantes e simpatizantes.
Uma das resenhas é de Felipe dos Santos Brizolla e Ruan Mazza Kastrup Carneiro Rehen, “O Subdesenvolvimento em André Gunder Frank”, percorrendo as análises históricas do Chile e do Brasil presentes no livro, destacando a crítica de Frank ao suposto “feudalismo” rural brasileiro e sua contribuição para a gênese da Teoria Marxista da Dependência (TMD).
A outra resenha é de Marcos Antônio da Silva, “Poder, legitimidade e hegemonia revolucionária em Cuba: uma análise de “La evolución del poder en la Revolución Cubana (tomos I y II)”, buscando desenvolver uma compreensão aprofundada da história recente cubana e todo o seu processo revolucionário, realizando um exame minucioso e sistemático das iniciativas, políticas, eventos, instituições, mobilizações, leis, acordos, realizações e revisões que marcaram tal processo desde sua emergência (1959) até o período recente (2018).
A Rebela ainda apresenta uma entrevista produzida por Ian Gabriel Couto Schlindwein, Lucas Polli Bueno e Juan David Miranda Gonzáles. “Educação Popular, memória e projetos emancipatórios. Entrevista com Mario Garcés durante a explosão social no Chile neoliberal em outubro de 2019” no qual o educador popular, historiador e professor universitário fala de aspectos desse campo educativo no contexto chileno, elementos da “educação política” nas décadas de 1960 e 1970, da efervescência dos movimentos populares na luta contra a ditadura na década de 1980, especialmente de sua experiencia na ONG ECO – Educación y Comunicaciones, e do declínio das ONGs e dos movimentos populares na década de 1990.
O Ensaio Fotográfico é assinado por Lucas Lima da Silva. “A máquina do tempo e a carta do viajante patagônico”, com imagens produzidas durante a viagem para Patagônia. Aludindo e dialogando com o texto Carta del viajero, de Julio Cortázar, o texto se concentra na Patagônia argentina como território mágico e resistente à descrição totalizante pela palavra.
Uma excelente leitura!
Coletivo Editorial
Texto: Ana Esther Ceceña Observatório Latino-Americano de Geopolítica
Texto: Bruno Lima Rocha - jornalista
Texto: IELA
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