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Os argentinos e a luta cotidiana – julgamento e castigo aos assassinos

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Por IELA em 11 de novembro de 2010

Os argentinos e a luta cotidiana – julgamento e castigo aos assassinos
Por Elaine Tavares  – jornalista
11.11.2010 – A luta popular na Argentina tem uma fortaleza que, vez ou outra, emociona o mundo. Desde a valente resistência a um dos mais brutais governos militares da América Latina, que matou milhares de pessoas, até a luta cotidiana contra medidas que mexem com a vida de todos. As gentes saem às ruas, com seus tambores, sua força, suas canções. Gritam e fazem valer seus direitos.  Nesta semana, milhares saíram em passeata para apoiar a luta dos trabalhadores da Ferrocarril Roca, que tem demitido sistematicamente os terceirizados. Também exigiram o julgamento e a condenação dos assassinos de Mariano Ferreyra, assassinado por integrantes do sindicato.
A morte de Marcelo, que era militante do Partido Obrero, aconteceu no dia 20 de outubro, quando, após uma manifestação, um homem, reconhecido como pessoa ligada a burocracia sindical da Confederação Geral do Trabalho (CGT),  sacou do revólver e disparou várias vezes contra os que se retiravam. Marcelo morreu na hora e outra militante, Elza Rodriguez, de 56 anos, foi ferida gravemente.  Os companheiros de Mariano alegam que a ordem partiu da dirigência sindical, incomodada pelo fato de os militantes estarem protestando contra a inércia do sindicato diante das demissões de trabalhadores ferroviários tercerizados. Por isso insistem que estes dirigentes devem ser igualmente condenados, e não apenas o que puxou o gatilho.
Desde o assassinato do jovem militante do PO os argentinos estão em luta. Nas mais importantes cidades acontecem manifestações exigindo do governo uma medida enérgica contra os assassinos. No dia em que Marcelo caiu morto, o grupo que realizava manifestação foi atacado também com pauladas e pedras, muitos ficaram feridos. A ação, atribuída à gente da União Ferroviária, mostra o nível de abandono destas organizações das bandeiras dos trabalhadores. Segundo os manifestantes, os dirigentes ostentam fortunas pessoais e não movem uma palha no sentido de defender os direitos dos trabalhadores, completamente alinhados aos interesses patronais.
A luta que se expressa nas ruas desde o assassinato de Mariano denuncia também o governo de Cristina  Kirchner por manter uma aliança com esta burocracia sindical da CGT, e por promover perseguição sistemática aos militantes que lutam contra essa burocracia encravada na máquina sindical.
A luta diária dos trabalhadores contra as tercerizações e as freqüentes marchas organizadas lograram alguma vitórias. Mais de cem trabalhadores que tinham sido demitidos da Ferrocarril Roca foram reincorporados. Mas, ainda assim, a luta deve continuar. Para os militantes que estão na rua em passeata as mobilizações seguem até que os assassinos de Mariano sejam punidos, assim como segue a batalha para que os sindicatos voltem a ser instrumento da classe trabalhadora e não espaço de negociatas com a classe patronal. Esta semana, as gentes saíram às ruas, em Buenos Aires, reivindicando julgamento e condenação aos que ceifaram a vida de um jovem que nada mais fazia do que lutar por um mundo melhor. Mariano Ferreyra segue presente na luta que promete não ter fim. Até que venha a sociedade sonhada.
Veja o vídeo.

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