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Panamenhos impedem a venda de terras estatais

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Por IELA em 15 de janeiro de 2015

Panamenhos impedem a venda de terras estatais

Panamenhos impedem a venda de terras estatais

27.10.2012  – A luta popular, quando masiva pode mesmo mudar a realidade. Uma prova disso viveu o Panamá nesses últimos días. Indignados com a aprovação da Lei 72, que abria a possibilidade de venda das terras estatais da Zona de Livre Comércio na cidade de Colón – a segunda maior do país  – o povo saiu às ruas em uma greve geral com o único intuito de anular a referida lei. Segundo os manifestantes, a decisão do presidente Martinelli em sancionar a lei está completamente submetida aos interesses estrangeiros e à elite nacional que não se importa em vender o país às grandes empresas multinacionais. Além disso, mais de 30 mil pessoas vivem e trabalham na zona livre. Todas elas estariam em risco no caso de empresas estrangeiras ou nacionais ocuparem a região.
Desde a votação na Assembleia Nacional o povo vem se manifestando veementemente contra a lei que, na prática, entregava todas as terras da zona franca às grandes empresas que atualmente pagam arrendamento ao governo. Praticamente todos os moradores da região de Colón se pronunciariam completamente contrários a essa decisão que deixa milhares de pessoas à mercê da ganância de especuladores. Organizados na Frente Ampla de Colón, as gentes da região, juntamente com organizações populares, indígenas, pequenos produtores, professores, estudantes e sindicalistas chamaram uma greve geral que parou o país na sexta-feira.
Na cidade de Colón as manifestações acontecem desde há sete dias, com enfrentamentos nas ruas entre a população e a polícia. Três mortos já foram contabilizados e muitos são os feridos. Nesta sexta-feira, outras organizações no país realizaram paralisações e trancamento de ruas. Mais uma vez houve confronto com a polícia e a indignação levou a população a quebrar e saquear alguns prédios comerciais e bancários.
No final da noite o presidente Martinelli decidiu anunciar que o governo pretende anular a lei a Assembleia Nacional, premida pela revolta popular, realizou um primeiro debate sobre um novo projeto, o 541, que desfaz a aprovação concedida anteriormente. Segundo informes nos jornais do Panamá, é certo de que os deputados permaneceram em reunião até o domingo, quando então já deverão ter a nova lei aprovada.  A promessa é de que o presidente deverá sancionar a nova lei, que anula a venda dos terrenos, imediatamente.
A cidade de Colón é uma das mais importantes no país, com sua famosa zona livre, onde se pode encontrar toda a sorte de produtos eletrônicos. Apesar de já ser uma zona completamente tomada pelo grande capital, ainda sobrevivem muitas famílias com pequenos negócios. A decisão de vender as terras caiu como uma bomba na cidade e a rebelião se tornou incontrolável. Conforme os depoimentos registrados pelos periódicos e emissoras de televisão do país, o Panamá viveu dias que lembraram a invasão estadunidense em 1989. Mas, dessa vez, quem venceu foi a população.
 
 

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