Senado aprova o fim da escala 6 x 1
Texto: Elaine Tavares
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Encapuzados e sem identificação pessoal, policiais do Centro Especial de Inteligência invadiram a Fiscalia General
O Procurador Geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso de maneira ilegal, no aeroporto de Santa Cruz, acusado de envolvimento com o narcotráfico. Em seguida, em La Paz, policiais encapuzados invadiram a sede da Fiscalía (equivalente ao Ministério Público no Brasil) apreendendo documentos e efetuando prisões. Trabalhadores da Procuradoria transmitiram ao vivo quando os supostos policiais chegaram, denunciando que eles não tinham identificação e fazendo um chamado a todos os procuradores para que se somassem à denúncia e que exigissem uma explicação sobre esta ação ilegal.
Roger Mariaca, que chegou ao cargo de procurador durante o governo de Luis Arce, é o que estava encarregado da investigação sobre as atividades do operador digital da extrema-direita, Fernando Cerimedo, que está preso por tentar matar a mulher. Mas, os crimes de Cerimedo não ficam só no campo da vida pessoal. Ao ser preso foi descoberta uma fazenda de bots (celulares ligados à propaganda digital), que ligam o Cerimedo a todo o processo de campanha suja de propagandas da ultra direita e manipulações eleitorais em todo o continente, expondo ligações com Donald Trump, Milei, Bolsonaro e outros presidentes de América Latina. Outras investigações acerca das ações de Cerimedo davam conta também de crimes como enriquecimento ilícito e fraudes contra o estado, nas quais o presidente Paz pode estar implicado. Ou seja, a prisão de Cerimedo é uma bomba que precisa ser desarmada, pois o “passarinho” não pode começar a cantar.
A prisão de Mariaca, que havia sido sancionado pelos Estados Unidos dois dias antes, segue o mesmo modelo dos ataques a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, se colocam no caminho do projeto trumpista de dominar toda o continente, e não sem razão tem sido denunciada como “sequestro”. O caso Cerimedo acabou abrindo uma caixa de Pandora que coloca todo o esquema de manipulação digital da extrema-direita em risco. A ação dos EUA, colando em Mariaca a etiqueta de “narcotraficante”, foi a sinalização para que o governo da Bolívia – aliado de primeira hora de Trump – atuasse no sentido de prender o procurador.
As acusações de ligação com o narcotráfico partiram dos Estados Unidos, e, tal qual aconteceu com o presidente Nicolas Maduro, carecem de qualquer comprovação. A base é o depoimento de um conhecido traficante que também foi preso e transladado aos Estados Unidos, provavelmente para cumprir o papel de “delator” nesta nova novela latino-americana que agora torna “narcotraficante” qualquer pessoa ou grupo que se oponha aos desejos de Donald Trump.
Além de Mariaca foram presos mais 14 pessoas ligadas ao procurador. Toda a operação foi arquitetada pela Polícia Antidrogas dos Estados Unidos, o que torna o governo de Rodrigo Paz mais um títere do país do norte, seguindo à risca as ordens do chefe.
Texto: Elaine Tavares
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