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Prisioneiros Mapuche em greve de fome lutam por justiça

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Por IELA em 03 de setembro de 2010

O governo Chile impõe desde há anos um cerco à dignidade do povo Mapuche. Todas as lutas deste histórico povo – que habita a região das araucárias – por terra e autonomia são criminalizadas. Sobre ele se aplica a mal fadada Lei Antiterrorista, ainda do governo ditatorial de Pinochet. Para a gente Mapuche que resiste e insiste, esta é uma lei que precisa ser repudiada e destruída. As lutas sociais são batalhas legítimas e a incansável peleja dos Mapuche por território segue seu curso, a despeito de tudo. Atualmente, dezenas de indígenas estão encarcerados sob esta absurda lei.
Desde o Chile chegam os protestos de três jovens Mapuche, que se somam a greve de fome de vários outros companheiros, em protesto contra as prisões arbitrárias.  Segue a carta que enviaram aos povos de Abya Yala.  
“À opinião pública nacional e internacional, nós, os Presos Políticos Mapuche  menores de idade, presos numa cadeia de menores CERECO CHOL-CHOL, Luís Marileo Cariqueo, Cristian Cayupan Morales e Jose Ñiripil Pérez, queremos dar a conhecer o seguinte:
 Kiñe: Que no dia primeiro de setembro nos somamos à greve de fome que mantêm os Presos Políticos Mapuche recolhidos aos cárceres de Temuco, Concepción, Angol, Lebu e Valdivia, que já leva mais de 51 dias.
 Epu: Esta drástica decisão que tomamos como jovens Mapuche se deve a nula resposta por parte do governo às petições gerais que demandam os presos políticos Mapuche em greve de fome, as quais são as seguintes:
 – Não aplicação da Lei antiterrorista em causas de reivindicação Mapuche- Fim do duplo processo injustificado feito pela Justiça Civil e Militar.- Desmilitarização do território Mapuche- Liberdade de todos os presos políticos Mapuche.
 Küla: Também queremos dar a conhecer nosso descontentamento como jovens Mapuche presos políticos, com respeito a um sem fim de irregularidades e injustiças que têm sido cometidas até hoje sobre nossa integridade, durante o período que estamos presos neste cárcere para menores CIP CRC CHOL-CHOL, as quais são as seguintes:
 – Foram cometidas violações aos nossos direitos, como crianças e como pessoas privadas de liberdade, desde o momento em que fomos detidos. Em distintas circunstâncias temos sido vítimas de torturas por parte dos organismos repressivos do estado, o que tem causado sérios danos a nossa saúde física e psicológica.
–  Temos sofrido, assim como uma grande quantidade de crianças e adolescentes das comunidades Mapuche mobilizadas, perseguição e discriminação por parte de distintas instituições e centros públicos e privados, tais como consultórios e escolas rurais, especificamente em Ercilla, os quais são cúmplices do freqüente fustigamento policial. Estes casos ocorreram com algumas crianças mapuche, como Vania Queipul e  Luis Marileo, só para nomear alguns, todos filhos de dirigentes das comunidades.
– Também denunciamos que as autoridades do  Centro de Detenção CIP CRC-CHOL-CHOL, não reconhecem nossa condição de menores de idade e presos políticos mapuche, coisa que se manifesta na restrição de visitas dos nossos seres mais queridos (tomando em conta as longas distâncias, o horário das visitas e a dificuldade econômica que vivem nossos familiares, que ainda precisam visitar outros familiares presos em distintas cidades, sendo difícil a coincidência com os horários de visita deste centros). Denunciamos ainda a restrição para ingressar com alimentação adequada que necessitamos para nosso desenvolvimento, já que se proíbe a entrada de pão, frutas, carne, etc… alimentos que estão em abundância nas nossas casas. Só permitem a entrada de bebidas refrigerantes, confeitos, batatas fritas, coisas que não fazem parte de nossa alimentação além de serem muito caros.
– Igualmente mencionamos que quando conseguem entrar, nossas mães, avós, companheiras e amigas são revistas de forma bruta pelos policiais e tratadas como se fossem delinqüentes. 
 Meli: Por último denunciamos a nova e covarde prisão que sofreu nosso peñi (líder) Leonardo Quijon, o qual deverá enfrentar novo julgamento pelos mesmos fatos e com os mesmos testemunhos pagos pelos fiscais anti-mapuche da região. Ou seja, ele deverá passar outro longo tempo longe de seus familiares, enfrentando um julgamento pelo qual já passou e foi absolvido. 
Assim fazemos um chamado à solidariedade e á consciência entre os povos, pedindo que participem de todas as atividades de apoio a nossos líderes e companheiros que se encontram em greve de fome por mais de 51 dias. Nós, da mesma forma que eles, colocamos nossa vida em prol da causa do povo Mapuche e contra toda a injustiça social que se comete hoje em dia neste país winka e racista”. Presos Políticos Mapuche  menores de idade, presos no cárcere de CIP CRC CHOL-CHOL, MARRICHIWEW.
Veja o vídeo com alguns depoimentos de outros presos Mapuche:

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