Crise do STF ou do presidencialismo?
Texto: IELA
Aguarde, carregando...
Segue a luta pelos petroleiros de Las Heras
04.02.2014 – Os trabalhadores e movimentos sociais da Argentina continuam se mobilizando pela absolvição de quatro petroleiros que foram condenados à prisão perpétua, no mês de dezembro de 2013, com a acusação de ter matado um policial durante uma grande greve da categoria no ano de 2006. Ramón Inocencio Cortez, José Rosales, Franco Padilla e Hugo González passaram por julgamento num tribunal em Santa Cruz e, conforme denúncias do movimento social, nenhuma prova foi apresentada. O que a acusação tinha era apenas o depoimento de uma pessoa que, segundo a advogada dos petroleiros, Claudia Ferrero, falou sob circunstâncias ilegais. A condenação, segundo ela, foi dada para acalmar os ânimos dos policiais que exigiam justiça. Para os petroleiros, a condenação é também uma jogada política, para mostrar aos demais trabalhadores que a luta por direitos é “perigosa”. Uma tentativa de frear os protestos.
A greve de 2006 foi forte e teve muitos momentos de conflito. O movimento foi deflagrado contra a criação de um imposto sobre os salários e contra a terceirização que avança no setor petroleiro. A morte do policial Sayago aconteceu num desses momentos de conflito quando a localidade de Las Heras foi tomada pela guarda nacional que, segundo os trabalhadores, impôs o terror, torturando e agredindo os petroleiros em luta. Num desses momento acabou morto o policial, mas não há provas sobre quem, de fato, foi o responsável pela morte. Na ocasião, várias pessoas foram presas e os quatro petroleiros, agora condenados, foram responsabilizados. A partir dessa condenação os trabalhadores argentinos vem realizando atos, protestos e movimentos exigindo a revogação da sentença.
Essa semana o escritor Osvaldo Bayer publicou uma carta onde defende os petroleiros:
“ O povo argentino está vivendo, com a condenação da justiça da Patagônia, uma das maiores injustiças históricas com os companheiros petroleiros de petroleiros de Las Heras. Comparável com muitos delitos cometidos pelas ditaduras militares vividas nos anos passados. Esta injustiça histórica na Argentina pode se comparar com a condenação sofrida pelos mártires de Chicago, os lutadores das sagradas oito horas de trabalho. Quatro deles sofreram pena de morte e três receberam prisão perpétua.
Cem anos depois a justiça estadunidense reconheceu que havia se equivocado. Um pouco tarde. Os condenados à prisão perpétua foram libertados, depois de quatro anos de prisão, mas os mortos estavam mortos. Um erro terrível.
Outro caso da justiça norte americana foi o de Sacco e Vanzetti, dois lutadores sociais condenados à morte e justiçados por um delito que não haviam cometido. A justiça norte americana, setenta anos depois, pediu desculpas por ter se equivocado. Também demasiado tarde. A todos esses heróis do povo as pessoas recordam, ano após ano, enquanto os juízes passaram para a história como representantes de uma justiça que estava a serviço dos poderosos do dinheiro.
Nós, argentinos, não podemos permitir essa nova injustiça. Dizem que vivemos numa democracia. Pois bem, façamos uso dessa democracia para terminar com essa injustiça impudica. Exijamos que intervenham a Corte Suprema de Justiça na Nação e todos os poderes políticos. Todos os juízes do país têm que reunirem-se em um congresso nacional e revisar as sentenças e exigir que se anule essa injustiça com os trabalhadores argentinos. O mesmo deve passar no Congresso Nacional e com os legisladores de todas as legislaturas provinciais. Precisam analisar essas condenações e produzir um documento exigindo a liberdade dos acusados.
A senhora presidente da nação tem que analisar esse fato tão perverso e assinar uma resolução a favor da verdadeira justiça. Só assim os argentinos entenderemos que vivemos numa verdadeira democracia. E, claro, todo o povo deve se mobilizar, e todos os partidos políticos do oficialismo e da oposição. Se não fizermos isso, as próximas gerações se envergonharão de nós. E que os juízes que aprovaram esse fato nefasto pensem que podem passar à história por terem sido os autores de um episódio dos mais errôneos e injustos da nossa história.
E a história sempre recordará a esses juízes e se perguntará: Porque o fizeram? Acompanharemos os trabalhadores na sua luta. Deles é o futuro e os que hoje estão condenados passarão a ser nossos heróis do passado e do futuro”.
Texto: IELA
Texto: Ana Esther Ceceña Observatório Latino-Americano de Geopolítica
Texto: Bruno Lima Rocha - jornalista
Texto: IELA
Texto: IELA