Fernando Cerimedo e o atual modus operandi da extrema direita na América Latina
Texto: Bruno Lima Rocha - jornalista
Aguarde, carregando...
Pósfácio de André Dias* ao livro de André Queiroz “Teatro e Barbárie – Ensaios sobre a cena contemporânea”
Há um gesto que atravessa cada página deste livro, um gesto que pertence simultaneamente ao dramaturgo, ao crítico e ao militante, o de deter o fluxo das imagens e obrigar o olhar a se demorar sobre o que, na velocidade do espetáculo, passa despercebido. André Queiroz não escreve sobre teatro da distância confortável do espectador desavisado. Sua escrita nasce da proximidade com os processos de criação, do convívio com os artistas, das discussões de bastidores e da experiência acumulada junto à cena teatral. Este posfácio não pretende encerrar o que o livro abre, mas sim continuar, em outro registro, o movimento que cada um de seus ensaios inaugura: o de fazer da escrita um ato político, uma forma de resistência à barbárie que não se nomeia diretamente, mas que pulsa, inconfessável e feroz, sob a superfície de cada cena comentada.
Teatro e barbárie – o título carrega uma tensão que não se resolve, e isso é precisamente seu acerto. Não se trata de uma relação causal simples, nem de uma oposição dialética tranquilizadora. A barbárie não está fora do teatro, como algo que a arte viria denunciar ou purificar. Ela está dentro, nas relações de produção que determinam quem tem acesso à cena, quem pode nomeá-la, quem financia os espetáculos e segundo quais critérios. Mas está também, de forma mais insidiosa, nas formas estéticas que seduzem e adormecem, nos dispositivos cênicos que produzem empatia fácil onde deveriam produzir distanciamento crítico, nos repertórios que reproduzem a visão de mundo das classes dominantes sob verniz progressista. André Queiroz sabe disso, e é por isso que seus ensaios são, inicialmente, atos de escrutínio, pois não celebram o teatro, eles o interrogam.
I.
O método de André Queiroz é, em primeiro lugar, um método do corpo. Antes de escrever, ele assiste. Antes de teorizar, ele escuta. Ao longo do período de imersão sistemática em diferentes cenas teatrais, ele acumulou não apenas referências intelectuais, mas experiências sensoriais, afetivas, políticas. Cada ensaio deste livro carrega a marca dessa corporalidade. Há, na escrita de André Queiroz, uma fisicalidade pouco frequente na crítica teatral brasileira contemporânea. Suas frases às vezes se precipitam em cascata, outras vezes se detêm num detalhe cênico como se tentassem reter o instante fugaz que a memória desfaz. Esse ritmo irregular não é descuido estilístico. É o ritmo próprio de quem escreve a partir da experiência vivida, de quem sabe que a linguagem escrita nunca captura plenamente o acontecimento teatral, mas que essa insuficiência mesma deve ser tornada visível, inscrita na textura do texto.
Há uma linhagem intelectual que percorre os doze ensaios, ainda que nem sempre de forma explícita. Walter Benjamin, Bertolt Brecht, Antonin Artaud são as grandes referências ostensivas. Mas há outras, menos explicitadas, que atravessam subterraneamente a argumentação, como a tradição crítica latino-americana de Fernando Solanas e Eduardo Pavlovsky, os pensadores da dependência, entre eles André Gunder Frank, além de uma literatura da violência e do exílio que se estende de Roberto Bolaño a Conceição Evaristo. O que une essas referências díspares não é uma filiação teórica única, mas uma postura diante da realidade: a recusa em separar o estético do político, o artístico do histórico, o individual do coletivo. Queiroz soube incorporar a lição de Bertolt Brecht segundo a qual toda forma estética implica, inevitavelmente, uma tomada de posição diante do mundo.
Esta postura tem consequências metodológicas precisas. Quando o ensaísta comenta uma peça, ele não a trata como objeto autônomo, como se o teatro pudesse ser avaliado apenas por seus critérios internos. Ele a situa num campo de forças: econômicas, políticas, históricas. Assim, a montagem de A exceção e a regra, de Brecht realizada pela Companhia Ensaio Aberto não é lida apenas como interpretação de um clássico, mas como intervenção num Brasil que ainda processa os crimes de sua ditadura militar. A encenação de Eles não usam black-tie não é mero resgate do teatro engajado dos anos 1950, mas ato político num contexto de greve dos trabalhadores da educação. A Moratória de Jorge Andrade não é apenas um drama familiar sobre a decadência do café paulista, mas uma radiografia das contradições estruturais do capitalismo periférico brasileiro.
II.
Um dos aspectos mais singulares deste livro é o modo como ele trata a questão da América Latina. Num país que frequentemente mira para o Norte ou para a Europa em busca de referências culturais e teóricas, André Queiroz insiste na latinidade como categoria estética e política. Não a latinidade folclorizada das feiras de artesanato, mas a latinidade da espoliação histórica, do exílio forçado, da resistência criativa diante do saqueio imperialista. Quando Queiroz comenta Cão vadio, ele evoca García Márquez não como ornamento literário, mas como chave de acesso a uma tradição continental de pensamento e criação que responde às violências do capitalismo de periferia com uma imaginação que transborda os limites do realismo.
Roberto Bolaño surge, no quarto ensaio, como figura quase mítica: o escritor que escreve contra o relógio de sua própria morte, que produz infatigavelmente porque sabe que o tempo é escasso e que o silêncio seria uma forma de conivência. Mas Bolaño é também, para o ensaísta, um espelho. Há no texto sobre Deserto uma autobiografia velada: a do intelectual que se lança a novas aventuras criativas na maturidade, que acumula ofícios e linguagens, que recusa a especialização como comodidade e abraça a travessia como método. A prosa de André Queiroz atinge ali uma densidade particular, quase incandescente, como se a escrita sobre Bolaño liberasse energias que a escrita mais diretamente analítica contém.
Nesse horizonte latino-americano, a questão do exílio ocupa um lugar central, não apenas como tema recorrente das peças comentadas, mas como categoria existencial e política. O exílio em André Queiroz é múltiplo: há o exílio geográfico dos migrantes libaneses de Samir Murad, há o exílio social dos trabalhadores de Guarnieri, há o exílio temporal dos personagens beckettianos enterrados até o pescoço numa história que não avança. Mas há também, e talvez mais fundamentalmente, o exílio epistêmico: o dos que são sistematicamente excluídos dos regimes de visibilidade e de nomeação que o capitalismo institui. O teatro, quando funciona como o ensaísta deseja que funcione, é uma máquina de visibilidade: ele faz aparecer o que é sistematicamente mantido fora de campo de visão.
III.
Seria, contudo, um equívoco reduzir Teatro e barbárie a um manifesto político. O que o livro faz de mais interessante e mais difícil é manter em tensão permanente o político e o poético, o engajamento e a atenção estética, a urgência do tema e o cuidado com a forma. André Queiroz é, antes de mais nada, um escritor. E sua escrita não serve o argumento político como ilustração, mas o constitui, o complexifica e o mantém aberto. Há momentos neste livro em que a prosa parece se aproximar de uma qualidade propriamente literária, fazendo com que a frase deixe de funcionar apenas como instrumento de comunicação e crítica para adquirir também uma dimensão estética.
Esse equilíbrio é tanto mais difícil de manter porque a crítica teatral brasileira tende a oscilação entre dois extremos igualmente redutores: a resenha impressionista que celebra sem analisar, e o ensaio acadêmico que analisa sem sentir. André Queiroz encontra uma terceira via: ele pensa com a emoção e sente com o pensamento. Suas entrevistas com diretores e dramaturgos não são apêndices documentais, mas como partes constitutivas dos ensaios, momentos em que o objeto ganha voz própria e a análise se adensa pelo confronto com a perspectiva de quem criou. Essa polifonia é um dos traços mais felizes do método do ensaísta, pois impede a onipotência do crítico e lembra que a obra é sempre maior do que qualquer leitura que se faça dela.
A escrita de Queiroz tem também uma dimensão performativa que merece atenção. Ela não descreve o teatro de fora: ela o performa de dentro. Quando ele narra a trajetória do comerciante Karl Langmann de A exceção e a regra de Brecht, a prosa acelera, produz tensão, encarna a lógica implacável do personagem. Quando ele entra no universo beckettiano de Winnie e Willie, a frase desacelera, faz pausas, instala um tempo suspenso análogo ao da cena comentada. Esse mimetismo não se reduz a um pastiche, mas constitui uma forma de compreensão que passa pela incorporação e pelo deixar-se habitar pelo ritmo e pela lógica do espetáculo analisado. É, em suma, uma forma de crítica que leva a sério o pressuposto de que a forma teatral pensa, e que pensar sobre ela exige encontrar uma forma equivalente na escrita.
IV.
A questão dos tribunais, que atravessa o primeiro ensaio e ressurge em variações ao longo do livro, merece uma atenção particular porque ela articula de forma paradigmática o modo como autor pensa a relação entre barbárie e legalidade. O tribunal em Bertolt Brecht não aparece como exceção ao Estado de Direito, mas como sua expressão mais lúcida. O juiz que absolve Karl Langmann não transgride a lei, ao contrário, aplica-a com uma consistência que expõe sua lógica de classe. Desse modo, a lei deixa de surgir como um instrumento, em tese, imparcial, passível de servir tanto à opressão quanto à emancipação, para revelar-se, em sua própria estrutura, uma forma de codificação e legitimação das relações de exploração.
O caso de Ana Rosa Kucinski, mobilizado com uma intensidade que o torna o coração político do primeiro ensaio, ilustra essa lógica de forma brutal. A professora desaparecida pela ditadura é processada administrativamente por abandono de função, e o processo segue seu curso burocrático com uma calma que é, ela mesma, uma forma de violência. A frieza dos documentos, a precisão jurídica dos pareceres, a observância escrupulosa dos ritos processuais – tudo isso constitui, para o estudioso, um monumento de barbárie. Não apesar de sua legalidade, mas por causa dela. Aqui Benjamin ressoa com toda a força: não há documento de civilização que não seja, ao mesmo tempo, documento de barbárie.
Essa articulação entre barbárie e legalidade não constitui apenas um argumento político, mas também um diagnóstico sobre o estado atual das democracias liberais e sobre os limites do que poderíamos chamar de resistência jurídica. André Queiroz não é ingênuo quanto às possibilidades do direito como instrumento de transformação social. Mas ele também não cede ao cinismo que tornaria qualquer ação política inútil. Entre o legalismo reformista e o niilismo pós-moderno, ele procura uma terceira posição: a da criação de formas coletivas de resistência que não esperam da lei sua legitimação, mas que se fundamentam na solidariedade dos explorados e na lucidez sobre as contradições do sistema.
V.
Seria incompleto qualquer exame deste livro que não se detivesse sobre as figuras femininas que o habitam. Conceição Evaristo, a quem o ensaio “É de exílios e de suturas que se concreta o útero de Natalina?” é dedicado, representa não apenas uma escolha afetiva e política, mas um programa estético. A escrevivência da autora, entendida como uma forma de escrita que recusa a separação entre experiência biográfica, memória coletiva e imaginação ficcional, constitui uma das matrizes mais discretas do método de André Queiroz. Assim como Evaristo não escreve sobre a experiência das mulheres negras a partir de um olhar exterior, mas desde dentro e em diálogo com elas, o ensaísta também não escreve sobre o teatro de uma posição distanciada; sua escrita se constrói com os “fazedores de teatro”, a partir das conversas, das entrevistas e da partilha de inquietações.
Natalina, personagem de Conceição Evaristo que dá título ao penúltimo ensaio, surge como uma figura de resistência que atua em múltiplos registros, sendo ao mesmo tempo mãe, mulher espoliada e corpo que se recusa a ser reduzido ao papel que o sistema lhe impõe. A pergunta formulada pelo ensaio, “É de exílios e suturas que se concretiza o útero de Natalina?”, direciona a reflexão para a corporalidade entendida como campo de disputa política. Nesse contexto, o corpo feminino deixa de funcionar apenas como símbolo ou metáfora e passa a ser compreendido como território concreto sobre o qual incidem formas específicas de dominação, mas também onde se elaboram modos particulares de resistência.
As mulheres que atravessam o livro, entre elas Ana Rosa Kucinski, Winnie, as personagens de Cão Vadio e Erêndira, de Gabriel García Márquez, compõem uma constelação que ilumina, sob perspectivas distintas, uma mesma questão fundamental relacionada ao significado de sobreviver em um sistema organizado para tornar a própria sobrevivência inviável. Trata-se, contudo, não de uma sobrevivência resignada, submetida às condições impostas, mas de uma sobrevivência insurgente, capaz de criar, mesmo em meio às determinações mais asfixiantes, espaços de dignidade e imaginação. É justamente esse um dos movimentos mais decisivos do teatro defendido por André Queiroz, o de criar, na sala escura, espaços que a lógica do capital procura sistematicamente ocupar e destruir.
VI.
Chegamos ao que talvez seja a questão mais urgente colocada por este livro: para que serve o teatro hoje? Não o teatro em abstrato, como arte milenar dotada de essência eterna, mas o teatro como prática concreta, como conjunto de escolhas estéticas, econômicas e políticas realizadas por pessoas reais em condições históricas específicas. O autor não responde a essa pergunta de forma direta, e é justamente essa recusa que torna a pergunta fecunda. Ele prefere multiplicar as perspectivas, deixar que os doze espetáculos comentados se respondam e se interroguem mutuamente, construir um arquivo da cena contemporânea que é também um diagnóstico sobre as possibilidades e os limites do teatro como forma de resistência.
O que emerge desse arquivo é uma imagem complexa e contraditória. O teatro pode ser um espaço de visibilidade para os invisíveis, como em Quantos filhos Natalina teve?. Pode ser um laboratório de pensamento crítico, como nas montagens brechtianas da Companhia Ensaio Aberto. Pode ser uma arqueologia afetiva da memória familiar e coletiva, como em O cachorro que se recusou a morrer. Pode ser um exercício de sobrevivência na iminência do colapso, como em Dias felizes. Mas pode também ser, e André Queiroz não fecha os olhos para isso, um espaço de reprodução das ideologias dominantes, de espetacularização das lutas sociais que as esvazia de seu potencial transformador, de produção de catarse que alivia as tensões sem as resolver.
A distinção entre esses dois teatros não se reduz a uma questão de tema ou de intenção política, pois atravessa a própria forma, os dispositivos cênicos que constroem ou desfazem a ilusão, a relação estabelecida entre palco e plateia e os modos de produção que determinam quem faz o quê e em quais condições. Por isso, os momentos mais fortes deste livro são aqueles em que o autor se detém nos detalhes formais, como a iluminação de Aurélio de Simoni em A moratória, as cadeiras decrépitas em Absolvição, as escadas de Cão vadio, que funcionam simultaneamente como cenário e instrumento de ação, e os corpos múltiplos e simultâneos na encenação de A exceção e a regra. Esses elementos deixam de ser simples ornamentos para se tornarem o lugar em que as escolhas políticas se inscrevem concretamente na matéria da cena.
VII.
Há, por fim, uma dimensão pedagógica neste livro que não deve ser subestimada. André Queiroz é professor universitário há trinta e quatro anos, e essa experiência deixa marcas em sua escrita, não sob a forma de um didatismo condescendente que simplifica para facilitar a compreensão, mas como uma pedagogia dialética próxima da proposta de Bertolt Brecht, voltada à problematização, à formulação de questões sem respostas prontas e ao reconhecimento do leitor como sujeito capaz de pensar por conta própria. Quando conduz o leitor pelo interior de um processo administrativo ou pelas páginas de K – Relato de uma busca, romance de Bernardo Kucinski, o autor ensina não apenas sobre um caso específico, mas também sobre uma forma de ler o mundo, desconfiada das aparências, atenta às contradições e comprometida com a busca da verdade como instrumento de emancipação.
Essa dimensão pedagógica possui também um forte componente geracional. Teatro e barbárie é um livro voltado para o futuro, mas sem renunciar ao diálogo com trajetórias já consolidadas da cena brasileira. Ao aproximar o trabalho de jovens criadores e companhias emergentes, como a Cia Churros de Polvo e a Trupe Ave Lola, das experiências de artistas como Daniel Herz, André Queiroz constrói um painel plural do teatro contemporâneo brasileiro. Mais do que documentar diferentes gerações de artistas, seus ensaios estabelecem uma rede de continuidade entre experiência e renovação, configurando um gesto de confiança na capacidade estética e política do teatro brasileiro para enfrentar os impasses de seu tempo.
Mas talvez o gesto pedagógico mais fundamental do livro resida na própria demonstração de que a crítica teatral pode constituir uma prática intelectual rigorosa, uma forma de pensamento que não se subordina nem ao impressionismo jornalístico nem ao tecnicismo acadêmico, encontrando um território próprio situado entre a cena e o conceito, entre a experiência vivida e a análise crítica, entre o prazer estético e o compromisso político. Nesse sentido, Teatro e barbárie ultrapassa a condição de simples livro sobre teatro e se configura como um espaço de encontro entre diferentes vozes que dialogam, entram em tensão, se contradizem e produzem, justamente nesse atrito, algo que nenhuma delas alcançaria isoladamente.
VIII.
Neste ano de 2026, em que o livro chega ao público, o quadro delineado por Bertolt Brecht ainda encontra ressonâncias inquietantes no presente. Persistem desigualdades econômicas extremas, conflitos armados, tensões políticas e ataques recorrentes às instituições públicas e aos direitos sociais em diferentes partes do mundo. Nesse contexto, os tribunais, assim como o tribunal que absolve Karl Langmann ou a Congregação do Instituto de Química que processa administrativamente uma professora desaparecida pela ditadura, continuam funcionando segundo uma lógica burocrática que, muitas vezes, parece dissociada das violências que atravessam a realidade social. É Brecht quem nomeia de forma contundente o que se passa nesses espaços de suposta justiça, no ensaio que abre este livro:
Olhem: é um voo de abutres! Aonde vão? Do deserto, onde não há nada mais, fogem para comer nos tribunais. Os assassinos lá estão. Os perseguidores em segurança lá estão. E os que roubam vão lá esconder seus roubos, enrolados num papel onde há uma lei lavrada [1] .
Diante disso, qual seria a função do teatro? E qual seria o lugar da crítica? André Queiroz evita respostas simplificadoras. Seu livro reconhece os limites do teatro e da crítica diante das estruturas políticas e econômicas do mundo contemporâneo, mas insiste na importância da imaginação e da experiência estética como formas de deslocamento do olhar. O teatro aparece, assim, como espaço capaz de produzir outras perspectivas, de fazer ouvir vozes distintas e de criar experiências que desestabilizam modos habituais de perceber a realidade.
Por isso, o livro termina próximo do ponto em que começa, reafirmando a necessidade de pensar a arte em relação com a vida e o pensamento em relação com a experiência concreta do mundo. Não como um programa fechado ou uma palavra de ordem, mas como exercício contínuo de atenção, reflexão e responsabilidade. André Queiroz escreve em diálogo com uma tradição crítica que encontra em Brecht uma referência central, sobretudo pela disposição de enfrentar as tensões do presente sem abrir mão da complexidade estética e intelectual. Teatro e barbárie se afirma, desse modo, como um livro relevante para compreender os impasses do teatro contemporâneo e suas formas de resistência simbólica.
Rio de Janeiro, maio, outono de 2026.
****
1. BRECHT, Bertolt. Teatro completo – Volume 4. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2014. p. 150 – 151.
Texto: Bruno Lima Rocha - jornalista
Texto: IELA
Texto: IELA
Texto: Mário Maestri