Senado aprova PEC do Marco Temporal
Texto: Elaine Tavares
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Por Rafael Cuevas Molina - Presidente AUNA-Costa Rica em 25 de novembro de 2025
A humanidade enfrenta a maior encruzilhada de sua história, e parece que não conseguimos resolvê-la.
A civilização em crise é a civilização ocidental. É uma crise que nos empurra para a beira da sobrevivência como espécie. Desde meados do século XX, sabemos, ainda que de forma preliminar, que o modo de vida dominante no mundo levaria ao nosso colapso. Esse foi o alerta do Clube de Roma na década de 1960, mas naquela época soava como ficção científica.
Hoje, os limites que o Clube de Roma nos alertou que alcançaríamos, e que então pareciam tão distantes, estão muito próximos. Em outras palavras, o destino nos alcançou. Segundo as previsões, em não mais que dez anos, o aquecimento global poderá atingir dois graus Celsius, o que traria enormes transtornos com consequências catastróficas.
O Brasil sedia atualmente a mais importante reunião anual da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, conhecida como COP30. Este encontro evidencia o fato de que as metas que o mundo estabeleceu para si mesmo — no mínimo — para desacelerar os fenômenos desencadeados no planeta como resultado da atividade humana não estão sendo cumpridas.
Além disso, revela um poderoso movimento global que não só nega a existência do problema, como também sabota as tentativas de solucioná-lo. Esse movimento é liderado pelo governo dos EUA sob Donald Trump e conta com a adesão de um número crescente de forças políticas conservadoras que negam as mudanças climáticas.
No cerne dessas posições negacionistas estão os interesses do capital. Não apenas os das grandes corporações transnacionais, mas também os das pequenas empresas. Vozes que exigem que os apelos por respeito ao meio ambiente sejam ignorados para não prejudicar o que chamam de “desenvolvimento” são ouvidas em todos os lugares.
Essa lógica abrange não apenas todos os níveis, mas também o planeta inteiro. É a lógica imposta pela sociedade de consumo, o cerne da civilização ocidental contemporânea. Até o momento, não conseguimos forjar uma forma verdadeiramente alternativa de interação e organização social. O sistema socialista que existiu entre 1917 e 1992, embora tenha racionalizado suas formas e níveis de consumo, também se baseava na premissa do aumento da produção e do uso de combustíveis fósseis. A China tornou-se, então, o maior produtor mundial.
Por outro lado, os esforços para abandonar os combustíveis tradicionais também enfrentam problemas que, em vez de os resolver, podem agravar a situação, com sérias repercussões, especialmente para os países do Sul Global, que sempre sofrem as consequências mais severas.
A título de exemplo, considere o seguinte: já estamos testemunhando os esforços das grandes potências para se apropriarem de depósitos minerais essenciais para os componentes das baterias necessários para o que tem sido chamado de “transição” para novas tecnologias renováveis. Isso leva a conflitos que resultam em gastos militares e abusos contra as populações que vivem nas áreas onde os depósitos estão localizados.
Além disso, baterias elétricas descartadas, cujos componentes precisam ser desmontados, são enviadas para países do Sul Global, onde causam estragos em populações inteiras devido à poluição que produzem. Um artigo do New York Times de 19 de novembro mostra como, na Nigéria, a cidade de Ogijo, ao norte da capital, Lagos, registrou um aumento exponencial nos casos de câncer devido às emissões de chumbo provenientes de fábricas que desmontam baterias de carros elétricos descartadas e enviadas da Europa. Os carros elétricos novinhos em folha que desfilam orgulhosamente pelas ruas de Paris ou Londres, cujos proprietários acreditam estar do lado certo da história por não mais queimarem combustíveis fósseis, estão apenas alimentando outros ciclos de poluição, conflito e exploração.
Em outras palavras, esta é uma crise da civilização que abrange todo o planeta e todas as formas mais conhecidas de organização social. Isso significa que o modelo chinês também não é uma solução para o problema crucial da degradação ambiental. Em última análise, embora possa eventualmente alcançar resultados favoráveis em outras áreas importantes — como tirar grandes segmentos da população da pobreza, o que não é pouca coisa —, em outras, cruciais para o momento histórico que estamos vivendo, ele fica muito aquém.
A humanidade está diante da maior encruzilhada que já enfrentou, e parece que não conseguimos resolvê-la. Já estamos pagando o preço, e talvez em alguns anos tenhamos que chegar a extremos inimagináveis antes de tomarmos as decisões radicais necessárias. Esperemos que não se torne uma anarquia generalizada onde, como de costume, o Sul Global saia perdendo.
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares
Texto: Álvaro García Linera - Bolívia