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Zapatismo realiza seminário em Chiapas

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Por Rádio Zapatista - Chiapas/México em 30 de dezembro de 2025

Zapatismo realiza seminário em Chiapas

No dia primeiro de janeiro celebram-se os 31 anos do levante zapatista no México. Em Chiapas eles seguem mobilizados e refletindo a realidade. 

28 de dezembro de 2025, San Cristóbal de Las Casas. O terceiro dia da oficina “De Pirâmides, de Histórias, de Amor e, claro, de Desilusões” foi dedicado à reflexão sobre o papel dos direitos humanos nas lutas sociais, bem como sobre o aparato legislativo do México e dos Estados-nação em geral.

Como podemos falar de direitos humanos diante do extermínio do povo palestino em Gaza e da vergonhosa cumplicidade da maioria dos Estados ao redor do mundo? Como podemos falar de direitos humanos em um país como o México, com feminicídios, tortura, assassinatos, brutalidade militar, valas comuns e o desespero incansável e digno daqueles que buscam seus entes queridos desaparecidos? Eduardo Almeida e Tamara San Miguel, da Rede de Direitos Humanos (NODHO), refletiram sobre isso com palavras impactantes que nos convidam a repensar. Eduardo falou sobre o uso do discurso dos direitos humanos por aqueles no poder para justificar suas atrocidades. Tamara, entre outras coisas, distinguiu entre o que chamou de crimes de poder, cometidos por aqueles que detêm o poder para garantir sua própria sobrevivência, e violações de direitos humanos. Os crimes de poder não são definidos em lei e não são reconhecidos como tal (por exemplo, crimes de Estado, tortura sexual e crimes corporativos que envolvem desapropriação). Diante disso, é necessário politizar a defesa dos direitos humanos e dos crimes de poder, buscando mecanismos autônomos em paralelo aos do Estado.

Por sua vez, a advogada Bárbara Zamora refletiu sobre leis que excluem e discriminam. “Todas as leis são inerentemente discriminatórias e excludentes porque são feitas por aqueles que detêm o poder e usadas para exercer poder sobre os outros”, começou Bárbara. Para ilustrar isso, ela apresentou um panorama fascinante das reformas do Artigo 27 da Constituição, da Lei Agrária, da Lei de Mineração, da Lei de Investimento Estrangeiro, da Lei de Hidrocarbonetos, bem como da Lei de Amparo e do Código Civil, todas as quais afetam as comunidades indígenas e camponesas do país.

O Capitão Marcos começou por esclarecer pontos importantes sobre a postura zapatista de respeito à diversidade de visões e opiniões e a importância dos desacordos e diferenças entre os camaradas. Em seguida, refletiu sobre as mudanças que vêm ocorrendo na própria estrutura do EZLN, que, como exército, é inerentemente piramidal. Desde que o Subcomandante Moisés assumiu o comando, explicou, a pirâmide do EZLN tem se “achatado”, tornando-se cada vez mais orientada para “o povo”. Finalmente, após explicar que as histórias são uma forma de os zapatistas narrarem a realidade, leu a história “Amor e Desilusão Segundo Chómpiras e Lucecita”.

Por fim, o Subcomandante Moisés falou sobre a construção dos “bens comuns” em território zapatista, dando exemplos claros de como as novas estruturas de governança e a organização do trabalho comunitário funcionam, com irmãos e irmãs não zapatistas, em terras recuperadas.

Ouça o áudio e veja os vídeos e imagens aqui:
https://radiozapatista.org/?p=53254

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