Jornadas Bolivarianas – Segurança Pública e a barbárie no capitalismo
Texto: Elaine Tavares
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Por Rafael Cuevas Molina - Presidente AUNA-Costa Rica em 14 de julho de 2026
Foto: Mídia NINJA (Cc)
Em meio a um calor sufocante — que serviu de pretexto para a FIFA determinar “paradas para hidratação”, permitindo que as emissoras exibissem mais comerciais —, a Copa do Mundo de futebol se desenrola entre polêmicas, acusações, lágrimas e uma euforia transbordante.
Não existe evento coletivo com maior impacto no mundo atual. Tampouco há mecanismo mais poderoso para colocar em movimento aquele velho aparato — que às vezes parece enferrujado e ultrapassado — conhecido como nacionalismo.
É impressionante ver telões no Cairo ou em Oslo, cercados por dezenas de pessoas com rostos transbordando expectativa, ansiedade, medo ou euforia. Elas estão unidas como se fossem uma só, embora, na vida cotidiana, estejam separadas — ou até mesmo em conflito umas com as outras — por questões de política, gênero, classe, etnia ou situação migratória.
Elas se abraçam e choram sem sequer se conhecerem, unidas — e talvez alheias (ou indiferentes) ao fato de que, em circunstâncias “normais”, a outra pessoa poderia ser um inimigo ou uma ameaça irreconciliável que elas gostariam de manter à distância, ou até mesmo ver morta.
Esse “outro” também pode passar pela transformação inversa: deixar de ser um conhecido inofensivo, um vizinho amigável ou um amigo de longa data para se tornar a própria personificação de algo abominável.
A Copa do Mundo também revela as profundas cicatrizes de ressentimento deixadas pelos abusos e pela subjugação que sustentam o mundo contemporâneo: o olhar condescendente do Norte em relação ao Sul; a persistência do racismo; e o desejo de revanche entre aqueles humilhados por sua classe social ou cor da pele.
São multidões sufocadas pela fúria ou pela euforia, com as mentes nubladas, prontas para “vencer ou morrer”, brandindo bandeiras e envolvendo-se nelas como um escudo protetor e unificador.
E, acima de todos eles, o imperador. Ele não é o torcedor nas arquibancadas — aquele que se endividou e sofre com o calor imposto pelas mudanças climáticas. O imperador aponta o polegar para baixo e suas ordens são cumpridas, mesmo que a multidão do circo clame pelo contrário e se enfureça. Sua palavra é lei, por mais estúpida que seja.
E há também aqueles que buscam tirar proveito da situação — os oportunistas de sempre. Aqueles que exploram ressentimentos e embarcam na roleta, na esperança de que ela pare em uma casa que renda dividendos políticos; como aquela senadora que canaliza seu racismo — enraizado na sociedade estratificada em que vive — e se alimenta daqueles que servem de bode expiatório para as massas inflamadas.
É isso que somos. Alguns podem querer se distanciar, parecer meros espectadores observando o caos de um mundo que corre em direção ao seu destino cataclísmico — um mundo que já começa a sufocar sob um calor opressor, secas e incêndios, bem como furacões e inundações devastadores.
Logo chegará o momento que Serrat descreve poeticamente:
“E com a ressaca a tiracolo
O pobre volta à sua pobreza
O rico volta à sua riqueza
E o padre volta às suas missas.”
É isso que somos — fiéis à nossa natureza até o fim…
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares
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