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Desastre: terremoto e explosão nuclear

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Por IELA em 17 de março de 2011

Por Yoko Akimoto – Japão
Vemos novos números a cada vez que ligamos a TV,…Fica bem claro que as usinas de energia nuclear em Fukushima estão fora do controle… Infelizmente, o terremoto nos fez pensar em como nós devíamos viver a vida. À  medida em que o tempo passa, vamos acordando para a realidade. Vemos novos números a cada vez que ligamos a TV, e eu sinto que deve ser assim com nossos amigos no Paquistão ou no Haiti, que continuam sofrendo devido aos desastres naturais.
Ontem, o governador de Miyagi anunciou que o total de corpos poderia somar mais de 10 mil. E hoje o Reator Nuclear 3 de Fukushima explodiu e agora (2 da madrugada do dia 15 no Japão) o núcleo do Reator 2 está derretendo. É bem claro que as usinas de energia nuclear em Fukushima estão fora do controle.
Há 40 anos, nossos ativistas mais velhos lutaram contra a construção de usinas, prevendo o risco neste país propenso a terremotos. Infelizmente, acaba de tornar-se realidade!! Naquele tempo, o governo expropriou os direitos dos pescadores da cooperativa de pesca ou da comunidade para construir as fábricas de energia atômica.
O governo destruiu violentamente a vida de pescadores e as condições para a pesca, para construir aquelas usinas, garantindo que eram seguras. Agora o governo e a TEPCO, Tokyo Eletric Power, entidade responsável pelo acidente, disse que um terremoto muito maior do que esperado atingiu a parte norte do Japão. No entanto, o professor do Instituto de Pesquisa sobre Reatores, Kyoto Hiroaki Koide, disse: “Como o Japão é um pais onde terremotos ocorrem mais frenquentemente no mundo, terremotos inesperados nunca podem acontecer se o governo promove a geração de energia nuclear”. Muitos japoneses devem saber quem é o culpado pelo acidente.
A TEPCO começou a interromper o fornecimento em Tóquio e outras cidades, e continuará assim até o final de abril, explicando que o acidente nuclear provocou escassez de energia elétrica. Metade ou menos dos trens regulares funcionou ontem.
Lojas e supermercados na área metropolitana não tem comida suficiente para os consumidores. Leite, água, peixe, pão ou mesmo arroz estão ficando escassos. Algumas prateleiras estão vazias. Algumas estradas estão bloqueadas. O transporte de carga para Tokyo está parado em estradas e ruas.
Moradores da área metropolitana vinham desfrutando das conveniências há muito tempo. Nós podíamos facilmente obter, comprar ou comer qualquer alimento, mesmo sem saber que estes eram expostos depois de longas viagens de centenas ou mais kilómetros. Nós não tínhamos que saber que os produziu, uma vez que tudo estava OK para nós aqui em Tóquio. Tristemente, o maior terremoto e o derretimento do núcleo da usina nos fez lembrar dessa distribuição atualmente mantida de modo muito frágil e nos fez pensar em como nos devíamos viver a vida.
O excesso de produção, consumo e desperdícios produzem inevitavelmente rachaduras no planeta, com emissão excessiva e desnecessária de carbono e com a destruição da Mãe Terra. O modo de vida, ou como devemos viver sem destruir o ambiente poderia ser nossa grande tarefa a ser considerada.
Bem, quatro dias se passaram desde que a tragédia ocorreu. Informações de catástrofes chegam, uma após outra. Não sabemos ainda se alguns dos nossos membros (Attac) nas áreas afetadas estão salvos. A contaminação por radiação está se espalhando. Há informação de que já chegou a Tókio. Agora estamos ocultos em uma invisível ansiedade.
 

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