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Eleições no Equador: disputa apertada

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Por Elaine Tavares em 26 de março de 2025

Eleições no Equador: disputa apertada

A campanha eleitoral para as eleições, em segundo turno, à presidência do Equador, começou nesta semana já com um debate bastante quente entre os dois candidatos, Daniel Noboa (atual presidente), e a correísta Luisa González. Como no primeiro turno a diferença de votos entre eles foi muito pequena, a disputa agora vai centrar sobre os 8,96% que votaram branco ou nulo, além de incentivar os que não foram votar. Também contam os 5,2% dos votos que foram para Leonidas Iza, o dirigente indígena do partido Pachakutik e ex-dirigente da Conaie.

Agora, os dois candidatos terão até o dia 10 de abril para convencer o eleitorado.

Noboa disputa a reeleição representando a classe dominante, buscando fortalecer um estado oligárquico,  militarizado, bastante em sintonia com as práticas da ultradireita, aprofundando a dependência e subdesenvolvimento. Já a candidata Luisa Gonzáles representa a socialdemocracia, portanto, sem grandes possibilidades de romper com o círculo dependente do país. Já declarou que vai manter a dolarização e seguir explorando os recursos naturais, pauta que bate de frente com as demandas indígenas em queda de braço com o governo desde os tempos de Rafael Correa.

Como o Pachakutik representa um peso significativo agora no segundo turno, visto que a diferença entre os candidatos em disputa é mínima, Leonidas Iza já apresentou a plataforma dos indígenas, declarando que não arredam pé dos princípios defendidos historicamente. Os indígenas sofrem bastante com Noboa, mas tampouco tiveram grandes avanços com Correa. Assim, não declararam voto mas definiram pelo menos dez pontos que ajudarão na hora de decidir qual caminho seguir.

Esperam que a nova presidência declare emergência ambiental nacional acabando com a mineração ilegal, realizando uma auditoria sobre as zonas mineiras e regulando o que estiver legal. Também querem garantir anistia aos lutadores sociais presos e a gestão comunitária da educação bilíngue. Reivindicam uma reforma no Código Orgânico Integral, a restituição das terras expropriadas pela mineração e pelo agro e o respeito a autonomia das organizações populares. O candidato que se comprometer com estas demandas ganha o voto.

É nesse cenário, entre o muito ruim e o ruim (mas com algumas possibilidades de negociação), que a população equatoriana vai decidir seu destino. O segundo turno acontece em 13 de abril.

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