Memória – Cuba e a saída de Fidel (2008)
Texto: IELA
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O IELA recebeu o peregrino Joaquín Bautista Carrilo, jicarero (cargo cerimonial) e diretor do Museu da Cultura Wixárika de Mesquitic, Jalisco, México e Jorge Rendón, que estão percorrendo o Brasil para promover a cultura Wixárika e ampliar o apoio para o reconhecimento do deserto de Wirikuta (seu lugar sagrado) como patrimônio da humanidade e para denunciar as agressões socioambientais que estão ocorrendo em seu território.
Na manhã de quinta, 04 de agosto, Joaquín e Jorge contaram sobre o uso sagrado do peiote e que todo o seu lugar de origem, o deserto de Wirikuta, está ameaçado pela exploração mineradora, permitida pelo governo mexicano. O território em questão é o deserto de Wirikuta, considerado por eles como o coração da humanidade. O encontro com o professor Paulo Capela, do IELA, foi intermediado pelo jornalista e cineasta Enio Staub com quem estão trabalhando no projeto de cinema Peyote,Venado,Maiz.
O peregrino falou sobre a medicina sagrada do Peiote, usado pelos wixárikas para comungar com os seus deuses. Para os wixárikas, o uso do Peiote permite a expansão da consciência e segundo eles, uma conexão com o universo divino.
Para viabilizar financeiramente a peregrinação e, por consequência, a difusão da cultura e a denuncia das explorações, Joaquin comercializa o artesanato wixárika. A arte do povo pré-hispânico possui uma série de significados que tratam desde elementos da vida até representações e orientações de proteção e prosperidade.
Joaquin, assim como outros wixárikas, segue o hábito de alternar os momentos de peregrinação com o cultivo milenar de inúmeras variedades de milho. Porém, os impactos do agronegócio e da atividade mineradora oferecem obstáculos para o modo de vida do seu povo. Hoje em dia, a busca espiritual de andar pelo mundo esbarra nas cercas de grandes proprietários de terra do México, que em alguns casos, impedem a passagem e em outros cobram pedágio dos peregrinos na terra que habitam antes da chegada dos europeus.
Sobre o cultivo do milho, Joaquin explica que programas governamentais impulsionaram o uso de fertilizantes químicos e, atualmente, por conta da precariedade do solo, o seu povo ficou refém do uso de adubos artificiais e defensivos agrícolas.
A luta do povo Wixárica contra a expulsão de seus territórios e a resistência da sua cultura pode ser visto em documentários como: “Wixarika: de Yurata a Wirikuta”, disponível no youtube e, em outras reportagens disponíveis na internet.
Link para o documentário:
Video of Wixarika: de Yurata a Wirikuta (documental)
Texto: IELA
Texto: João Gaspar/ IELA
Texto: Elaine Tavares
Texto: Davi Antunes da Luz
Texto: Juan J. Paz-y-Miño Cepeda
Texto: Rafael Cuevas Molina - Presidente AUNA-Costa Rica