Brasil em greve geral

28 de Abril de 2017, por Elaine Tavares

Foto: Mídia Ninja
Foto: Mídia Ninja

Nessa sexta-feira o Brasil amanheceu com o povo em luta. Foi a vitória da greve geral contra as propostas do governo Temer que pretende acabar com a aposentadoria e destruir as leis trabalhistas. Na contrarreforma da Previdência o governo insiste em manter a idade mínima de 65 anos com 49 anos de contribuição como requisito para uma aposentadoria integral. Ora, no Brasil, quem pode ter 49 anos de carteira assinada, sem interrupções? Praticamente ninguém. Isso significa que a aposentadoria não vai chegar para a maioria da população. Ainda mais se considerarmos que mais da metade da população economicamente ativa está no mercado informal. Alguns jamais tiveram carteira assinada. 

Já a contrarreforma trabalhista destrói toda a legislação que vigia desde os anos 50, garantindo direitos aos trabalhadores. Com a aprovação dessa proposta do governo prevalecerá o negociado com os patrões. Ou seja, o trabalhador não terá qualquer amparo diante dos desejos do patrão. Direitos como férias, 13 salário, intervalo para almoço, licença maternidade e tudo mais poderão ser alterados conforme queira o patrão. E ao trabalhador não restará escolha. Ou aceita ou é demitido. Que negociação é essa?  

A primeira votação da contrarreforma trabalhista já aconteceu no plenário da Câmara depois de seguir em tramitação de urgência. O processo, eivado de manobras e golpes, pretendia encerrar o assunto antes da greve geral, na tentativa de tornar sem efeito o movimento. Mas, o golpe saiu pela culatra. 

O que se vê nessa sexta-feira são as cidades completamente paradas, com os trabalhadores em luta. Aeroportos estão fechados, as principais vias de acesso aos centros estão fechadas, universidades estão bloqueadas. Mesmo as médias e pequenas cidades estão registrando uma movimentação bastante grande dos trabalhadores. Até mesmo a laboriosa Blumenau, no interior de Santa Catarina, está com as ruas desertas. Não há transporte e muita gente decidiu ficar em casa. 

Os meios de comunicação comercial estão transmitindo os conflitos e confrontos que também já estão acontecendo com a polícia, como em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e até Florianópolis, mas o tom, é claro, tem sido bastante desfavorável aos trabalhadores. Como sempre, os veículos de comunicação se aliam ao governo e à classe dominante. Isso não é novidade, ainda mais considerando que esses meios receberam cerca de 2.000% a mais de verbas de publicidade governamental. Ou seja, estão a serviço do governo. 

A luta está bonita e na parte da tarde é que devem acontecer os atos de massa. A parte da manhã foi de fechamento das saídas para que as pessoas não fossem trabalhar. À tarde será o momento das grandes manifestações. Em Florianópolis o ato é às 16h, na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa.  Na UFSC sairá passeata a partir do meio-dia em direção ao centro.

Contra todos os prognósticos do governo e dos congressistas corruptos, a greve geral está forte. O país está parado.