Cepal adverte para tempos difíceis no próximo ano

22 de Dezembro de 2020, por IELA


Documento divulgado na última semana pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) aponta as projeções de crescimento para a região, que deve somar uma taxa de queda de 7,7% este ano de 2020, configurando a pior crise dos últimos 120 anos com 10,7% de desemprego. 

As exportações regionais, que são bastante dependentes do envio de matéria prima tiveram uma queda de 13% e os preços caíram 7%. O volume de importação também caiu em 14%, a maior taxa desde a crise financeira de 2008. 

De acordo com o informe foram comparados diferentes indicadores sanitários, econômicos, sociais e de desigualdade, mostrando que essa é a região mais atingida no mundo emergente. Os países mais afetados são a golpeada e atacada Venezuela (-30%), o Peru (-12,9%) e o Panamá (-11%). O Paraguai foi o que teve a menor taxa de queda com apenas –1,6%. 

Com a pandemia que caiu sobre a humanidade, a América Latina acabou ficando no foco dos maiores dramas, com Brasil, México e Argentina tendo altas taxas de contaminação e morte. Até o final do informe os números eram de 14,2 milhões de contágios e mais de 475 mil mortes na região e mesmo que em boa parte as atividades econômicas tenham seguido, existe ainda a possibilidade de novas medidas de prevenção para uma possível nova onda que pode chegar com as aglomerações de final de ano.   

As previsões da Cepal para o ano de 2021 são até otimistas diante da tragédia imposta pela falta de políticas de prevenção ao coronavírus. Os economistas esperam uma recuperação de 3,7% no PIB regional, taxa que não deve permitir grande recuperação. Mas, advertem que é preciso considerar como cada país irá reagir diante do processo de vacinação que deve começar ainda em janeiro. Eles ainda apontam que as consequências da pandemia só aceleraram e exacerbaram problemas que são estruturais na região e que vêm de muitos séculos, portanto, qualquer recuperação que aconteça será muito lenta e não deve haver muitas novidades na economia até 2024. 

A América Latina e Caribe tem 626 milhões de pessoas e é considerada uma das regiões mais desiguais do mundo e a pandemia a pegou num momento de grande debilidade econômica - 2019 teve uma taxa de 0,1% de crescimento. A Cepal já tinha feito uma previsão de que em 2020 o crescimento seria lento, mas com o vírus e todo o drama do enfrentamento da doença, o resultado foi essa queda brutal.