Colômbia: quase mil mortos desde os acordos de paz

17 de Julho de 2020, por IELA

Parte das FARC retomou a luta armada
Parte das FARC retomou a luta armada

Quando as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC) decidiram aderir e assinar um acordo de paz com o governo colombiano houve muita incerteza sobre se essa decisão não iria deixar a descoberto um número expressivo de pessoas que passariam a viver fora da clandestinidade. O país já passara por algo semelhante quando um acordo fez com que grupos guerrilheiros depusessem as armas e o resultado foi o assassinato sistemático de boa parte dos integrantes. Ainda assim, as lideranças das Farc entendiam que havia chegado a hora de cessar fogo. As conversas foram realizadas em Havana, Cuba, e demoraram. Mas, ao final, em 2016 finalmente o acordo foi firmado.

Não foi uma decisão fácil e mesmo com a população querendo a paz, grupos ligados ao ex-presidente Álvaro Uribe fizeram e seguem fazendo o que podem para impedir que haja mesmo um cessar fogo para a luta interna que vem desde o longínquo assassinato de Jorge Gaitán, em 1948. Sendo, assim, ainda que vários grupos das Farc tenham sido extintos, com muitos de seus integrantes voltando à vida civil, a guerra interna não parou. Tanto que vários militantes decidiram, em setembro do anos passado, retomar a luta armada, justamente porque não suportaram mais ver seus companheiros sendo abatidos pelos paramilitares ou pelo narcotráfico a serviço do estado.

Essa semana o diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz, Camilo González Poso, divulgou a informação de que desde a assinatura do acordo em 2016 até julho desse ano, 2020, quase mil líderes sociais e defensores dos direitos humanos foram assassinados na Colômbia (971, para ser exato). Também foram assassinados 218 ex-combatentes das FARC. Ainda segundo o estudo do Indepaz o estado (departamento) que mais teve lideranças assassinadas foi o de Cauca, com 226 pessoas. Cauca é conhecido como um espaço de forte presença indígena. Em segundo lugar está Antióquia, com 133 assassinatos, seguida de Nariño, com 84, Vale del Cauca, com 74, Putumayo, 60, Norte de Santander, 50, Córdona, 45, Caquetá, 40 e Chocó, 33.

O presidente do Indepaz se mostrou bastante preocupado com o departamento de Cauca, que carrega 25% das mortes. O território está tomado pela violência com grupos armados, disputa de território e narcotráfico. Para ele, o governo deveria acertar suas políticas de segurança, pois como está não tem garantido a vida das pessoas que lutam por uma Colômbia melhor. Além disso, com a violência desatada pelos grupos armados, paramilitares e narcotraficantes, as comunidades estão completamente entregues a sua sorte e muitas delas acabam sendo forçadas a sair de seus territórios pela força.

Os números mostram que os acordos de paz só valeram para os guerrilheiros. O estado segue perseguindo e matando, e fazendo vistas grossas aos grupos paramilitares que também seguem desalojando pessoas e roubando terras.

A paz ainda é algo muito distante no país irmão.