Definido o novo presidente da Guiana

21 de Agosto de 2020, por IELA

 


A Guiana é um pequeno país ao norte da América do Sul que até bem pouco tempo – 1966 - foi colônia inglesa. Passou duas  décadas sendo governada de maneira autocrática por um único homem, Forbes Burnham, e as primeiras eleições consideradas legais só aconteceram em 1992.  Agora é chamado de Estado Cooperativo e mantém ainda estreitas relações com a Grã Bretanha. É um país pequeno, com menos de um milhão de habitantes (800 mil) e faz divisa com o Brasil em cerca de 1.600 quilômetros. Em 2015, por conta da descoberta de jazidas de petróleo saiu da condição de país pobre e começou uma escalada desenvolvimentista.

Dois partidos tem se enfrentando historicamente nas eleições: o Partido Popular Progressistas (PPP), de maioria indo-guianesa, e o que nasceu de uma dissidência do PPP, o Congresso Nacional do Povo (CNP), de maioria afro-guianesa, num tabuleiro político cheio de conflitos e fraudes. No último mês de março houve eleições presidenciais e o PPP venceu, mas o resultado foi questionado e o país passou cinco meses resolvendo a contenda, com a recontagem dos votos. Apenas agora, no início do mês de agosto, o resultado oficial foi confirmado. O novo presidente é Irfaan Ali, que deverá suceder o general do exército David Granger, do CNP. Este teve contra si as suspeitas de ter firmado acordos não muito vantajosos para o país na exploração do petróleo.

Irfaan Ali realizou sua campanha prometendo ao povo guianense que iria aliviar a vida da população agora que o país avança para o crescimento por conta do petróleo. Conforme dados do FMI, é provável que o PIB da Guiana cresça mais de 50% esse ano e a proposta de Irfaan é investir em políticas públicas de educação e saúde, bem como ajuda aos pequenos e médios empresários. O PPP conseguiu 33 assentos dos 65 da Assembleia Nacional enquanto o bloco formado pelos aliados de Granger ficou com 31, o que já aponta uma difícil negociação.   

Essa não é primeira vez que o PPP governa, foi inclusive o primeiro partido moderno na Guiana, mas é a primeira vez que terá tantos recursos para conduzir o país. A Guiana tem 40% de sua população formada por descendentes de indianos e essa conformação étnica, na relação com negros (29%), brancos e mestiços sempre foi conflituosa. Mas, provavelmente não será a questão étnica que irá definir os destinos do país. Agora, com o petróleo, cuja produção pode chegar a um milhão de barris por dia, a vida dos guianeses pode se transformar. Resta saber se o governo vai atuar no sentido de dividir a riqueza com a população ou se vai seguir o tradicional caminho do enriquecimento privado.