EUA entram com recurso pela extradição de Assange

25 de Janeiro de 2021, por IELA

 


Apesar de a juíza inglesa, Vanessa Baraiteser, ter decidido pela não extradição do jornalista e criador do WikiLeaks Julian Assange, a situação está bem longe de ser definida. Assange segue preso em presídio de alta segurança e segue também submetido a toda sorte de torturas psicológicas. Não bastasse isso os Estados Unidos já apresentaram recurso visando conseguir nova decisão e agora terão duas semanas para preparar os argumentos e pormenores que sustentem o pedido. Só depois desse prazo que o Tribunal Superior inglês definirá se aceita ou não o recurso. 

A decisão de apelar da decisão se deu nos últimos dias do governo de Donald Trump que processou Assange a partir da Lei de Espionagem, alegando que ele divulgou segredos de estado depois de entrar ilegalmente nos computadores. Assange, por outro lado, sustenta que quem cometeu crimes foram os EUA e que o que WikiLeaks divulgou foram justamente as provas desses crimes. Logo, quem deveria estar em julgamento eram os governos estadunidenses que sistematicamente as mais descaradas violências contra populações indefesas.  

Assange, que divulgou as atrocidades dos EUA no Afeganistão e no Iraque, foi inicialmente acusado de crime sexual na Suécia e como as denúncias foram todas rechaçadas os Estados Unidos fortaleceram o cerco acusando-o de espionagem. O jornalista recebeu asilo na Embaixada do Equador em Londres durante o governo de Rafael Correa, em 2011, mas o presidente que sucedeu a Correa, Lenín Moreno, acabou entregando Assange para a justiça inglesa em abril de 2019. No presídio ele foi colocado em uma solitária, sofrendo violências físicas e psíquicas. Por várias vezes tentou o suicídio e foi justamente por isso que a juíza decidiu não o extraditar. Segundo ela, não há indícios de que nos Estados Unidos Assange seja poupado. Ainda assim negou o pedido de fiança.  

O novo presidente dos Estados Unidos ainda não se manifestou com relação as acusações de espionagem relacionadas a Julian. Mas, considerando o perfil de Biden, que já reconheceu Guaidó como presidente da Venezuela e manteve a embaixada dos EUA em Jerusalém reforçando a ocupação de Israel, é pouco provável que retire as acusações contra Assange.