EUA: mais violência do império

28 de Fevereiro de 2017, por Elaine Tavares


A semana começou com uma nova bravata de Donald Trump. Depois de impedir a entrada de imigrantes, anunciar a construção de um muro divisório com toda a fronteira mexicana, barrar a imprensa que considera hostil ao seu governo, agora ele anunciou um aumento de 54 bilhões de dólares no orçamento militar do país e prometeu: “começaremos a ganhar guerras de novo”. Com isso, disparou o alarme no mundo. Novos conflitos serão gerados e se o Oriente Médio já está destruído, para que lado se voltará a metralhadora imperialista? América Latina já está com as barbas de molho, afinal, se o petróleo já está dominado, agora falta a água. E água é o que há em abundância por aqui. 

O aumento na rubrica do gasto militar significa que o estado deverá investir pelo menos 600 bilhões na máquina de guerra. O anúncio de Trump levantou a indignação de pelo menos 120 generais e almirantes aposentados, porque nele está embutida outra novidade, um drástico corte de verbas nas agências de inteligência e na Agência de Proteção Ambiental. Por isso, não é de estranhar que entre os que protestam estejam um ex-diretor da CIA, bem como figuras de destaque das Forças Armadas. Eles alegam que investir só na máquina de guerra e deixar de lado a diplomacia pode ser um alto risco. Aqui, cabe definir o que querem dizer com “diplomacia”. Nada mais é do que a intervenção nos países via as agências de inteligência, a chamada “guerra macia”. Basta ver as denúncias de Snowden e Assage. Mas, ao que parece, Trump não quer saber de tramar por dentro dos países. Ele quer atacar diretamente. 

Todos sabem como age o Departamento de Estado, fomentado rebeliões, criando focos de cisão e desestabilização dentro dos países, como foi o caso do famoso Estado Islâmico, hoje uma pedra no sapato, sem controle. É um tipo de intervenção que, pelo menos na hora em que acontece, fica descolada do governo estadunidense. Os generais que são contrários a essa nova política de Trump insistem na necessidade de se continuar investindo em agências como a USAID, por exemplo, outra fachada de provocação de crises e destruição por dentro. 

Mas os protestos dos ex - homens fortes sequer fazem cosquinha em Trump. Ele não dá a menor bola. Ao aumentar o investimento na guerra em 9,3% ele volta a colocar a máquina militar no mesmo patamar que estava quando Bush iniciou os ataques ao Iraque e ao Afeganistão. Quer balas e sangue.

Se por um lado a decisão de enfraquecer o Departamento de Estado e a chamada “guerra macia” pode soar bem para os países que ao longo dos anos vem sofrendo com essa sistemática intervenção, por outro a postura guerreira anuncia que a tática agora será de guerra aberta. E, ao consideramos o arsenal nuclear do qual os Estados Unidos é dono, os prognósticos parecem assustadores. 

Diante do anúncio de aumento de recursos para o gasto militar, o ativista negro Múmia Abu Jamal, que segue preso nos EUA, divulgou nota no qual ressalta que por todo mundo as declarações e ações de Trump criam uma atmosfera de espanto e medo, mostrando um Estado com sede de rapina e fome de poder. “Desde seu primeiro dia Trump tem usado o medo, insultos e mentiras para vender seus programas de repressão, e tanto que até uma das instituições mais conservadoras do país como a Suprema Corte foi obrigada a declarar ilegal o ataque contra os muçulmanos”. 

Múmia lembra que Trump representa um grupo de pessoas tomado pelo ódio, que renasceu das cinzas e que não vai se calar. “Eles e elas vão derramar as entranhas do medo e do terror e vão lutar como demônios para fazer dos Estados Unidos um lugar para os brancos outra vez”.  

Mas o que Mumia vislumbra para o seu país não ficará limitado ao território estadunidense. A verborragia de violência está voltada também para qualquer outro espaço que ouse se colocar no caminho dos sonhos de poder do novo presidente. Disposto a construir um muro em toda fronteira com o México ele já decidiu que é o México quem vai pagar. E se não pagar, o que fará? Invadirá? Jogará bombas? Ninguém sabe. O homem é ele mesmo uma bomba relógio prestes a detonar.  

Aos países que já estão calejados em viver sob intenso ataque do imperialismo estadunidense resta prepararem-se.  O que vem será novo e muito mais virulento.