GuaraniSat já está no espaço

23 de Fevereiro de 2021, por IELA

Os dois cientistas paraguaios que desenvolveram o satélite: Aníbal e Adolfo
Os dois cientistas paraguaios que desenvolveram o satélite: Aníbal e Adolfo

O Paraguai lançou no espaço, no último sábado, o seu primeiro satélite artificial chamado GuaraniSat 1. O dispositivo foi desenvolvido pelos cientistas paraguaios Adolfo Jara e Aníbal Mendoza, que puderam garantir essa conquista ao país a partir do apoio de bolsas de estudo de instituições japonesas que também participam do projeto. Adolfo Jara Céspedes é pesquisador do Grupo de Investigação em Eletrônica e Mecatrônica (GIEM) e Aníbal Mendoza é formado em Engenharia Aeronáutica pela Faculdade Politécnica da Universidade Nacion al do Paraguai.
O projeto foi discutido no dia 8 de janeiro de 2020 durante a visita ao Paraguai do Ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, quando realizava um recorrido por cinco países latino-americanos.

O GuaraníSat-1 foi projetado pela  Agência Espacial Paraguaia (AEP) dentro de um projeto do Instituto Tecnológico de Kyushu (Kyutech). Ele foi desenhado, desenvolvido, testado e integrado por profissionais paraguaios da AEP, no âmbito da quarta edição do Projeto BIRDS. Depois de construído foi entregue à Agência Espacial do Japão (JAXA) para lançamento na Estação Espacial Internacional (ISS) do módulo KIBO japonês. 

Nos jornais paraguaios, o diretor geral de Planejamento da AEP, Jorge Kurita, afirmou que a participação do Paraguai nesse projeto provocou um “efeito dominó” no país com a criação de grupos e equipes de investigação no setor espacial, aplicados para resolver problemas terrestres. Também declarou que o lançamento não é o fim, mas sim o começo de um trabalho que deverá ser sistemático. 

O caminho do satélite, lançado via o foguete Antares é a Estação Espacial Internacional. Lá ele será desembalado e colocado para funcionar. Então, finalmente, será colocado em órbita. 

O custo do satélite, que envolve o hardware mais as provas ficou em 140 mil dólares, isso sem contar os investimentos indiretos como o programa acadêmico, a manutenção dos pesquisadores no Japão e toda a infraestrutura que a AEP teve de montar no Paraguai para poder acompanhar e monitoras os dados que serão gerados. O equipamento desenvolverá funções básicas como tirar fotos de baixa resolução da Terra, classifica-las e descarrega-las no centro de controle. No geral, esse tipo de equipamento mede a temperatura e a humidade do ar, monitora tempestades, capta ondas elétricas das emissoras de televisão e as envia para lugares onde não poderiam chegar e pode servir também para comunicações telefônicas. 

Nos jornais paraguaios onde a notícia foi divulgada com algum destaque, os comentários dos leitores são ferinos. Eles questionam a necessidade de um satélite num momento como esse da pandemia do coronavírus, no qual a população ainda está desprotegida, sem vacina. Por outro lado, os pesquisadores apontam a importância do projeto para o desenvolvimento da ciência no país e também a autonomia que o país terá ao gerar as próprias imagens e garantir a comunicação. 

O primeiro satélite artificial que se tem notícia foi lançado pela URSS, o Sputinik, em 1957, dentro da corrida científica desencadeada pela chamada “guerra fria” entre União Soviética e Estados Unidos. Logo em seguida os Estados Unidos também laçaram um e o que era para ser um mecanismo de espionagem mostrou-se importante na melhoria das comunicações. Desde aí vários países também investiram na construção de seus próprios equipamentos. O Brasil, por exemplo, lançou o BrasilSat 1 em 1985, e esse foi o primeiro também na América Latina. 


*Com informações dos jornais paraguaios