López Rivera, livre

21 de Janeiro de 2017, por Elaine Tavares


Porto Rico é chamado hoje de Estado Livre Associado, mas, de fato, pertence aos Estados Unidos. É um arquipélago localizado na parte oriental do mar do Caribe, a leste da República Dominicana. Foi colônia da Espanha desde a invasão em 1493 até a guerra hispano-americana de 1898, quando passou para as mãos dos Estados Unidos.

Apesar de ser um estado dos EUA e os porto-riquenhos serem cidadãos estadunidenses, coisa que foi garantida em 1917, tudo ali remete aos quatro séculos de colonização espanhola, inclusive a língua falada, que é o espanhol. Há uma identidade que se mantém viva, bem como o desejo de liberdade. Em uma boa parte da população pulsa o desejo de ter uma nação soberana como as demais companheiras das Antilhas.

Uma das “peculiaridades” da situação de Porto Rico é o fato de, ainda que sejam considerados estadunidenses, os porto-riquenhos não podem votar nas eleições presidenciais. Coisa pouco digna de um país que se diz a “maior democracia” do mundo. Nem tem eleição direta, e ainda trata alguns cidadãos como gente de segunda.

Não é sem razão que as batalhas pela independência mobilizem tanta gente. Em 2012 o estado viveu um referendo para decidir se queria ser livre ou não, e a votação para continuar sendo colônia teve vitória, com 65% dos votos. A ideologia que é derramada via meios de comunicação impõe a ideia de que ser dos EUA é melhor do que arriscar uma vida soberana.

Uma importante liderança nacionalista, Oscar López Rivera, estava preso nos Estados Unidos, justamente por fomentar a proposta da independência e foi um dos agraciados com a comutação de pena outorgada pelo presidente Barak Obama, num dos últimos atos de seu governo.

Rivera nasceu em 1943 em Porto Rico e como soldado chegou a servir ao exército dos Estados Unidos, tendo lutado no Vietnam e até recebido medalhas por seus atos. Mas, pouco depois de retornar da guerra acabou se incorporando à luta por direitos do povo porto-riquenho participando de atos de desobediência civil e militância pacífica.

No ano de 1976 integrou-se à luta clandestina pela independência e passou a ser parte das Forças Armadas de Libertação Nacional. Em 1981 ele foi capturado pelo FBI e acusado de conspiração contra os Estados Unidos. Desde sua captura ele reivindicou a condição de prisioneiro de guerra, visto que estava em batalha contra uma ocupação colonial, mas os EUA nunca lhe reconheceram assim. Foi condenado a 55 anos de prisão e depois de uma suposta tentativa de fuga, a pena foi aumentada para 70 anos. Diz-se “suposta” porque ele alega que isso nunca aconteceu. Como prisioneiro foi submetido a todas as maldades que costumam ser praticadas nas prisões políticas, ficando 12 anos em completo isolamento.  

Durante o governo de Bill Clinton, o presidente ofereceu a ele um indulto, mas exigindo que cumprisse ainda mais 10 anos em bom comportamento. Rivera recusou. Ao longo de todo esse tempo de confinamento, por todo o mundo foram feitas campanhas pela libertação e denúncias de violação dos direitos humanos.

Finalmente agora, com a comutação de pena assinada por Obama, Oscar López Rivera será libertado no dia 17 de maio. Sem condições impostas.

Foram 36 anos na prisão, por ter ousado lutar pela liberdade. Em Porto Rico já se prepara a festa. Rivera vai voltar!