Os mercados estão abastecidos e os hospitais também

4 de Abril de 2021, por Carlos Walter Porto-Gonçalves

Prateleiras abarrotadas
Prateleiras abarrotadas

Os números de contaminados e de óbitos no Brasil vêm se agravando com a segunda onda desde finais de 2020. Os grandes meios de comunicação vêm expondo situações de aglomeração sobretudo em festas que têm impacto nesses números elevados. Independentemente da crítica que esses que se aglomeram em festas possam merecer tudo indica que não seria essa a principal razão de números tão assustadores.

Quero chamar a atenção, sem aprovar os que festejam em momento de luto, que pouco se tem falado de desabastecimento dos mercados, o que indica que a produção e a distribuição estão se fazendo normalmente, como se não houvesse pandemia. Sabemos da exposição ao Coronavírus dos trabalhadores da saúde. E nas outras áreas? Tudo indica que a economia não parou, mas as pessoas continuam sendo contaminadas e indo a óbito. O governo federal insiste na primazia da economia e, pelo visto, tem conseguido êxito. Afinal, os mercados continuam abastecidos, logo tem gente trabalhando para isso. E os mercados abastecidos mostram o sucesso da economia funcionando, o que implica o êxito da política que o governo federal propõe. 

Não haveria relação entre uma coisa e outra, ou seja, a economia funcionando e tanta gente se contaminando e indo a óbito? A solução, sabemos, não é fácil sobretudo num país, como o Brasil, onde as injustiças sociais são imensas fruto das relações sociais e de poder profundamente assimétricas que expõe uma enorme proporção da população a situação de opressão/exploração. Os dados da ajuda emergencial no ano de 2020 davam conta de 68 milhões de brasileiros que careciam de ajuda para se manter vivos. Se cada um deles tem um dependente, uma estimativa baixa, implicaria que mais de 50% da população brasileira vive em situação de miséria. Mas continua trabalhando, abastecendo os mercados, se contaminado e indo a óbito. 

Enquanto isso, o petróleo que abunda em nosso território que, até aqui, era refinado em nossas refinarias, passa a ser cotado em dólares e as refinarias estão sendo vendidas. As carnes de frango, bovina e suína são cotadas em dólares, assim como os custos do milho e da soja que são insumos para a carne também são cotados em dólares, enquanto ganhamos mal e em reais. E tudo indica que o agronegócio vai bem aumentando nossa dependência e nosso subdesenvolvimento. Enfim, o subdesenvolvimento se desenvolve. E não esqueçamos da gripe suína, da gripe aviária (SARS, linhagem do Coronavírus) e que a vaca ficou louca. E nós nisso? Até quando?

Já basta!