Porto Rico também elegeu novo governo

9 de Novembro de 2016, por Elaine Tavares

Para alguns é só uma colônia dos EUA, mas para outros é um estado autônomo. E foi nesse embate histórico que Porto Rico, com 2,9 milhões de eleitores, elegeu nessa terça-feira o seu governador. O pequeno estado - que é uma ilha ao leste dos EUA -  tem pouco mais de três milhões de habitantes e uma evasão de gente que chega a 90 mil por ano. 

O vencedor foi Ricardo Rosselló professor, filho do ex-governador Pedro Rosseló González, do Partido Nuevo Progresista (PNP). Ricardo faz parte do grupo que apoia a ideia de anexação de Porto Rico aos Estados Unidos. Elegeu-se com 41,76% dos votos prometendo austeridade e corte de gastos no setor público. O segundo colocado, com 38,94% dos votos, foi David Bernier, do Partido Popular Democrático (PPD).  

Além dos postulantes dos dois partidos tradicionais, concorriam mais quatro candidatos. María de Lourdes Santiago (Partido Independentista Puertorriqueño), Rafael Bernabe (Partido del Pueblo Trabajador) e dois independientes Alexandra Lúgaro e Manuel Cidre. A novidade foi justamente o expressivo número de votos dos dois candidatos independentes (quase 200 mil), o que mostra a tendência do fim da democracia burguesa e seus partidos que, cada dia que passa, representam menos pessoas.
 
Além do governador, que tem status de presidente, Porto Rico elegeu também os prefeitos, os legisladores locais e o representante da ilha no Congresso dos Estados Unidos.

A situação da ilha é bastante peculiar, pois apesar de seus governantes e elite local rechaçarem o conceito de “colônia”, os habitantes de Porto Rico não têm o direito de votar para presidente dos Estados Unidos, por exemplo, ainda que formalmente seja um “estado autônomo”.

O governo dos Estados Unidos invadiu Porto Rico em 1898, no seu período expansionista na região, prometendo liberdade e democracia, mas o fato concreto é que a ilha nunca saiu do jugo dos EUA. Apenas no ano de 1952 que foi estabelecida a forma administrativa de “Estado Livre Associado”, o que é uma farsa, visto que o presidente legal de Porto Rico é o presidente dos Estados Unidos.  

A figura do governador também é bastante singular, pois ainda que tenha o poder de vetar projetos do legislativo local, nomear os membros de seu gabinete, nomear juízes do tribunal Supremo e das demais cortes, isso ainda tem de ser consentido pelo Senado e pelo Secretário de Estado dos EUA. Não bastasse isso, no último mês de junho o Congresso dos EUA impôs uma Junta de Controle Fiscal que é quem tem, de fato, o controle das finanças. Isso porque a ilha tem uma dívida de mais de 70 bilhões de dólares. 

Em Porto Rico a taxa de desemprego está em 13% e a criminalidade está em alta. Sua população económicamente ativa é uma das mais baixas do mundo, o que leva boa parte da juventude, ou para a migração ou para o crime. 

Com informações de Prensa Latina - EFE – AFP e Telesur