Uma nova etapa para o Fórum de São Paulo

30 de Julho de 2019, por IELA


A Venezuela sediou na última semana a 25ª edição do Fórum de São Paulo reunindo quase mil delegados internacionais, de 70 países, representando movimentos sociais de toda a América Latina. O encontro buscou discutir a conjuntura, o avanço das forças conservadoras e a necessária reação da esquerda internacional. A escolha da Venezuela para a realização do encontro se deve ao ataque sistemático que o país vem sofrendo, em maior intensidade a partir de 2015, com a guerra econômica que visa destruir a economia local.

Nos quatro dias do Fórum muitos debates e discussões na tentativa de realizar uma análise mais apurada da realidade latino-americana e encontrar caminhos para enfrentar os avanços da violência institucionalizada do império estadunidenses e seus vassalos no continente. Foram rechaçados os ataques à Venezuela, Cuba e Nicarágua, os três países que ainda mantêm governos alinhados à esquerda. 

Ao final, o documento oficial do encontro salientou a preservação da paz na Venezuela e chamou à solidariedade e à defesa da soberania e autodeterminação do povo venezuelano. Também apontou o acompanhamento da política da região da América Latina e Caribe como uma prioridade para os partidos e organizações políticas e sociais de esquerda. 

O documento salientou apoio ao diálogo entre o governo bolivariano e a oposição, por ser uma expressão genuína da democracia e das liberdades existentes no país e rechaçou as ameaças de intervenção militar, as sanções econômicas e o cerco diplomático implementado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Exigiu ainda o fim incondicional, total e definitivo do bloqueio econômico, comercial e financeiro de Washington contra Cuba, e a devolução ao país caribenho do território ocupado ilegalmente pela Base Naval de Guantánamo.

Os partidos, organizações políticas e movimentos sociais defenderam ainda reforçar a defesa da Proclamação da América Latina e Caribe como zona de paz, aprovada na Segunda Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) em Havana. Entendem que é vital defender a Celac como maior acontecimento unitário dos últimos 200 anos e que é necessário seguir no caminho de Bolívar, buscando a integração dos povos para além das relações comerciais. Repudiaram a presença militar dos Estados Unidos e seus  aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Caribe e denunciaram o papel intervencionista da Organização dos Estados Americanos (OEA) a serviço dos Estados Unidos, condenando também a guerra não convencional aplicada pela  Casa Branca contra os governos opostos aos seus interesses.  

O documento também se posiciona contra a intervenção de Washington nos assuntos internos da Nicarágua e condena o assassinato sistemático de líderes sociais na Colômbia, exigindo o cumprimento do acordo de paz entre governo e as FARCs/ Exército do Povo bem como a retomada do diálogo com o Exército de Libertação Nacional. Os delegados do Fórum exigem a liberdade imediata do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e respaldam a luta do povo hondurenho na defesa de seus direitos, contra as políticas neoliberais e a corrupção, bem como rechaçam a criminalização dos migrantes por parte dos Estados Unidos e apoiam a independência de Porto Rico. 

O encontro buscou cercar todas as demandas da esquerda latino-americana e caribenha definindo ainda novos encontros setoriais para aprofundar as formas de luta. Em agosto deverá acontecer um Congresso de Trabalhadores reunindo participantes de todo o mundo, em outubro um Congresso dos Povos Indígenas e em novembro um Congresso com os afrodescendentes, estudantes e agricultores urbanos. 

O Fórum de São Paulo foi fundado em 1990, convocado pelo PT, para rearticular a esquerda latino-americana em meio ao fim da Guerra Fria e a governos que lançavam pacotes de austeridade fiscal para colocar suas economias em ordem, penalizando as gentes. Hoje, as demandas não são muito diferentes e se coloca como ainda mais necessária a articulação dos partidos e movimentos populares para garantir as mudanças e autodeterminação dos povos.