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Que cesse o pranto…

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Por IELA em 15 de janeiro de 2015

Que cesse o pranto…

Que cesse o pranto… Por Raquel Moysés – jornalista

13.03.2013 – É um honor à figura humana e política de Hugo Chávez Frias a cobertura preconceituosa e falseada que a mídia de mercado fez no dia de sua morte e continua a fazer, enquanto o povo chora sua perda.   Sim, as mentiras de meios de comunicação servis a impérios prestam honor, honra, a Chávez. Porque se o mais potente conglomerado de mídia do Brasil e da América Latina fala dele com tanto ranço e desrespeito às informações históricas é porque busca dissimular, a todo custo, a estatura política, a envergadura humana e a importância mundial do presidente venezuelano.
Meios de comunicação que assim agem, na hora da morte, como agiram durante a vida, só podem estar amarrados a interesses escusos e inconfessáveis. Se não, por que colocar no ar e publicar  entrevistas com “analistas” fantoches que demonstram desconhecimento sobre a realidade e se referem à Venezuela como se a nação tivesse sido submetida por 14 anos a uma ditadura?
Seria ingênuo esperar que eles se reportassem a fatos históricos para mostrar que, antes de Chávez, houve títeres no poder, ditadores que permitiam que a Venezuela fosse tratada como quintal dos Estados Unidos. Neste momento de balanço histórico da revolução bolivariana, é claro que tais meios fazem de tudo para varrer da memória a herança política de Chávez.
Minimizam o fato de a Venezuela já ter ultrapassado a Arábia Saudita em tamanho de reservas confirmadas de petróleo cru, um dos grandes motivos  de tanta cobiça imperialista sobre o seu território. Só falam é de “sucateamento” da estatal petrolífera, a Pedevesa. Não informam que quando Hugo Chávez venceu as eleições pela primeira vez, em 1998, o país tinha reservas de 75 bilhões de barris de óleo, tendo elas chegado a 296,5 bilhões de barris no ano de 2010.
O mais irônico nesta descarada cobertura jornalística sobre Chávez é que muitas das mentiras mencionadas acabam desmentidas ao longo das próprias reportagens embusteiras. Pois, ao mesmo tempo em que chamam Chávez de “caudilho populista”, são obrigados a dizer que o presidente venezuelano sempre foi eleito  pelo voto popular e que as mudanças constitucionais na nação de Bolívar foram aprovadas por força de plebiscitos.
É claro que não explicam que as eleições foram livres, tendo havido outros candidatos concorrentes, que perderam para Chávez. Assim como não esclarecem que um plebiscito, para quem porventura não saiba seu significado,  é a máxima expressão da vontade  e do poder popular, pois é a própria sociedade  que vota  para decidir  se quer ou não uma medida, uma  lei, uma mudança na constituição do país.  Não é a intenção deste texto, porém, tratar de desfazer mentiras que tentam encobrir a realidade, fazendo fumaça para obscurecer  a história de um morto que já ficou para sempre, com sua generosidade,  contradições, grandezas, desacertos, imensa paixão pela vida e pelo humano.  No caso deste morto, é inútil que a mídia plante inverdades ou que seus adoradores lhe teçam louvores pegajosos: a história de Chávez é seu testamento à posteridade.
Ele era como um rio que escorria em palavras e nelas se confessava continuamente. Falava como quem conta a vida e a história, entremeando seus discursos e análises políticas com lembranças e recordações das estradas que percorria no encalço de mudar o mundo, começando por sua Venezuela, sua América Latina.  ‘Nuestra América’, que ainda precisa percorrer árduos caminhos para completar sua segunda e definitiva independência.
Chávez era um grande contador das histórias que conhecera nos livros e nas quebradas de sua terra. Homem de muita leitura e vastos caminhos, conseguia  se comunicar intimamente  com sua gente,  pois falava com ela como quem conversa ao pé do fogão a lenha,  numa madrugada de inverno.
Durante as campanhas mais importantes para consolidar o poder, cantava e recitava versos da poesia que amava. Ele, também um poeta. Ele que era,  como escreveu a poeta búlgara Nelly Dimitrova”,  “simplesmente um homem de incontáveis mãos e perfis, um homem com quem os povos cantaram.” Porque, como escreveu Farruco Sesto Novás: “¿Qué es, en definitiva, una revolución, sino el más grande acto poético elaborado en colectivo?”
Na “extrema curva do caminho extremo” Chávez deixou um legado de esperança aos povos em luta: Viveremos e venceremos. Oriundo de uma estirpe de homens insurretos, insubmissos, o bisneto de Maisanta (um general que lutara contra a ditadura de seu tempo), uma vez confessou,  em um discurso em Valencia (Carabobo),  que não havia chegado ao governo  para ajoelhar-se diante de impérios e oligarquias:  “Cheguei aqui para dar minha inteira vida ao povo bonito, grande e bom da Venezuela.”
Depois desta “impressionante despedida de amor”, sua gente há de   saber exatamente a hora de parar de chorar para  enfrentar  as imensas batalhas que se anunciam. Alí Primera, cantor maior do povo venezuelano, já sabia, quando escreveu sua canção necessária:
“Los que mueren por la vida no pueden llamarse muertos y a partir de este momento es prohibido llorarlos”.

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