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Simón Bolívar – uma presença

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Por IELA em 22 de fevereiro de 2006

Simón Bolívar – uma presença
 
Por elaine tavares – jornalista no OLA/UFSC
 
Ele está em todo o lugar, onipresente. Em cada praça lá está o seu cavalo e o garboso corpo de homem jovem, no pleno vigor da luta renhida, de libertação. A rua onde está a casa em que nasceu fica bem no centro da cidade. Ainda conserva as mesmas pedras originais. Nenhum asfalto passou por ali. Um fechar de olhos e dá para ouvir o barulho dos cavalos a entrar e sair. A casa está bem conservada. É grande, cheia de enormes janelas, vários pátios internos e algumas fontes, ainda a jorrar. Construção tipicamente espanhola, espaço da aristocracia.

Pelas paredes, mais tarde, foram pintadas cenas da vida de Bolívar. Enormes murais em cores sóbrias de um dos mais importantes pintores venezuelanos. Dos móveis originais, o mais incrível é a grande cama de dossel, em veludo vermelho. Ali nasceu, e ali dormia Simón. Ali também morreu sua mulher. Os demais armários, mesas e cadeiras, de madeira maciça não dizem muita coisa. A casa tem um quê de impessoal. Parece que falta algo. De qualquer forma, nos pátios, parece que se pode vislumbrar a figura imponente do libertador, se esgueirando pelas varandas.
 
Bem ao lado está sede da Sociedade Bolivariana. Dentro dela, a biblioteca Simón Rodriguez, cheia de livros e lembranças, não só do velho educador de Bolívar, mas também do próprio libertador e de sua amada, Manuelita. Ao lado fica o Auditório Simón Bolívar, lugar onde o guerreiro venezuelano assinou a independência das seis nações que formam a grande Colômbia. Tudo ainda conserva a gravidade daqueles dias. Toda a sala é forrada com um veludo vermelho e as cadeiras do auditório também. Em cima, numa espécie de palco, fica a grande mesa na qual Simón se debruçou para o ato histórico de criação das nações latino-americanas. Logo atrás está um quadro que o retrata nos seus mais belos anos. Impávido e majestoso. No teto, imperando sobre a sala, há um lustre de cristal, como a representar toda a fragilidade e a beleza daquilo que foi vivido ali.
 
A sociedade bolivariana foi criada pelo amigo de Bolívar, Rafael Urdaneta, em 1842, então com o nome de Gran Sociedade Boliviana. A idéia de Urdaneta era justamente manter vivas não só a figura do libertador, mas todas as suas idéias. Só mais tarde virou “bolivariana” e este foi o nome apropriado pelos militares que tramaram a re-fundação da república, entre eles Chàvez. “O presidente diz que só na união está a força e essa foi a mensagem de Simón desde os primeiros tempos das campanhas de libertação”, diz Carlos Machado, o diretor da biblioteca Simón Rodriguez. É por isso que ele não tem dúvidas de que Chàvez vai fazer 10 milhões de votos na próxima eleição. “Essa caminhada que empreendemos não tem volta”. 
 
Quem circula pelas pequenas e grandes cidades da Venezuela não pode deixar de perceber a presença avassaladora do libertador. Os mais críticos sabem que Bolívar nada mais era do que um aristocrata mordido pela mosquinha do liberalismo. Mas, aquilo, naqueles dias, era absolutamente revolucionário. Sair do jugo da colônia e abrir caminho para a liberdade. É certo que esta liberdade ainda está longe de se consumar. Basta ver a luta dos povos originários, ainda sob o peso das botas das elites locais que acabaram abocanhando o poder depois das lutas pela independência. Mas, o que fica, como mensagem indelével do jovem intrépido e seu cavalo, é a idéia de que esta América baixa, essa Abyayala, pode ainda ser livre, e pela mão dos seus.

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