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Os Estados Unidos e o ataque à Venezuela

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Por Elaine Tavares em 05 de janeiro de 2026

Os Estados Unidos e o ataque à Venezuela

Quem conhece a história da América Latina sabe: nada que venha dos Estados Unidos pode ser dado como verdade. Desde que ficou independente da Inglaterra sua missão tem sido enganar, mentir, fomentar ódios, invadir, destruir e roubar. No começo especializou-se em roubar da Inglaterra, França e Espanha, buscando abocanhar as terras e países que estavam em luta por libertação da colônia. Alguns deles chegou a “ajudar”, quando o motivo real era torná-los fracos para depois roubá-los. E aqui nem estamos contabilizando o que fez com os povos originários, donos das terras que os ingleses colonizaram.

Quando os cowboys iniciaram a marcha para o Oeste, a história que contavam era de que aqueles homens e mulheres que devastavam comunidades indígenas eram apenas pessoas cumprindo – em nome de deus – o seu destino, que era o de conquistar cada ponto do vasto território que se abria em direção ao Pacífico.

Depois iniciaram uma série de movimentos para abocanharem as Flóridas e a Louisiana, sempre usando gente de dentro para fomentar pequenas revoltas nas quais a palavra de ordem tinha de ser: “queremos pertencer aos Estados Unidos”. Assim, respaldados pelos cidadãos do lugar, eles ocupavam e pronto. Aproveitavam as guerras de independência, quando os povos lutavam por liberdade, e ofereciam ajuda. Tudo isso fazendo parte do que os governantes denominava de “espera paciente”, que era o plano de ir minando, enfraquecendo, comprando a consciência dos locais, até que tudo estivesse suficientemente frágil para uma invasão. A sede por terra era insaciável.

Foi o que fizeram no México, fomentando revoltas e introduzindo dentro do país seus agentes que iam preparando o caminho, insuflando traições. Depois, tomaram Porto Rico, Cuba, Alasca. O método sempre foi o mesmo: inventar alguma mentira forte e levar o povo a pensar que a única saída era pertencer aos EUA. Os países que não conseguiram anexar, invadiram de outra forma, manipulando governos, criando espaço para suas empresas atuarem, garantindo assim lucros e mercadorias a baixo custo. Que o digam os países da América Central. Não há um sequer que não tenha experimentado as botas sujas do imperialismo estadunidense.

O historiador cubano Ramiro Guerra, num livro luminoso chamado “A expansão territorial dos Estados Unidos a expensas de Espanha e dos países latino-americanos” , desvela esse processo em riqueza de detalhes, com documentos oficiais e da imprensa da época. Ler esse livro, é visualizar exatamente aquilo que hoje assistimos nas redes sociais com relação a Venezuela. Os mesmos métodos. Chega a ser angustiante pensar que em 300 anos, os povos latino-americanos não tenham encontrado formas de resistir a isso. Porque é muito igual. Campanhas difamatórias, invenção de fatos, mentiras deslavadas, implantação de agentes desestabilizadores, compra de consciências locais e por fim, a dominação. Nos tempos mais contemporâneos foi assim no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, no Líbano, na Síria…

Agora, na Venezuela passou igual. Toda a tática da “espera paciente” se repetindo sob nossos olhos. As mentiras, as campanhas difamatórias, a ação de agentes implantados e locais visando a desestabilização e por fim, o sequestro de Nicolás Maduro, com o único propósito de tirar do caminho qualquer entrave para a toma do petróleo venezuelano. E, nesse processo, contando com os vende-pátria locais, agentes infiltrados e toda a técnica da “espera paciente” já conhecida desde o início do 1800.

Não satisfeitos com o sequestro de Maduro, agora insistem em quebrar a confiança do povo bolivariano lançando suspeitas sobre Delcy Rodríguez, a vice-presidente. Uma hora Trump diz que ela traiu Maduro, depois diz que se ela não cooperar, abrindo os campos de petróleo para os EUA , ele vai bombardear e dar a ela um fim pior do que o de maduro. É um jogo sinistro e covarde reproduzido pela mídia entreguista e agora, com mais rapidez, pelas mídias sociais. Estas reforçam de maneira bastante eficaz as mentiras de Trump, criando nas gentes a idéia de que o melhor mesmo é se entregar aos Estados Unidos.

E, enquanto o presidente dos Estados Unidos, vai atuando como se fosse um deus todo-poderoso, os governos dos demais países (com exceção de Cuba e Colômbia) se calam, lançando inúteis notas de repúdio. Em resposta , Trump aumenta a aposta e diz que tão logo resolva o caso da Venezuela, assumindo o controle do país, passará ao México porque, segundo ele, a presidente não tem força para a acabar com o narcotráfico. Começa assim, a criar o caos no país com o qual faz fronteira e do qual já roubou mais da metade das terras nos tempos idos. Também já ameaçou a Colômbia dizendo em alto e bom tom que vai cortar a cabeça de Petro. Age como um ditador, mas segue sendo mostrado como um estadista.

Nas redes, vimos gentes de todos os países , e inclusive do nosso, a celebrar a ação na Venezuela, chamando de “libertação”. E, enquanto elas dançam nas ruas, abraçadas as bandeiras dos EUA, eles estão tramando alguma forma de se apropriar das riquezas dos países. Não há parada. Quando Israel decidiu dar uma “solução final” ao povo palestino, seguindo os métodos dos EUA, já se previa que o imperialismo iria atuar com força. Um povo inteiro foi massacrado e não houve ONU, nem Conselho de Segurança, nem Tribunal Internacional que conseguisse parar a máquina de morte. Agora, veremos o mesmo com relação à Venezuela. Notas de repúdio, declarações vazias, enquanto Trump seguirá no rumo do seu “destino manifesto”. Há duas saídas: uma é ajoelhar e pedir para pertencer aos Estados Unidos. Outra é lutar. São forças desiguais, mas a história já mostrou que é possível.

Enquanto se desenrola o destino de Nuestra América seguimos conscientes de que a rede de mentiras e enganos é vasta. Não dá para acreditar em nada que venha dos EUA, da mídia, das elites locais. Ainda há muito para desvendar deste sequestro de Maduro, mas um coisa é certa: nada é o que parece ser. A única verdade é a que já conhecemos depois de 300 anos de ação imperialista: o propósito é roubar.

Na Venezuela há resistência.

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