Pensadores da Pátria Grande – Manoel Bomfim
Texto: IELA
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Aconteceu ontem a segunda audiência de Maduro e Cilia na corte federal estadunidense, depois de quase três meses do sequestro. Conforme relata o repórter da Telesur, a audiência começou com 40 minutos de atraso e encerrou sem que tivesse sido marcada nova sessão. Fora do prédio uma manifestação exigia a liberdade dos dois mandatários venezuelanos.
O que aconteceu já era esperado. Mesmo depois de ter sido derrubada a tese de que Maduro dirigia um cartel de narcotráfico, novas denúncias apareceram, e seriam risíveis se não fosse trágicas. Na verdade, a fama de “todas as garantias ao direito” que caracteriza o sistema judicial estadunidense foram sepultadas, sem pejo.
O advogado de defesa, Barry J. Pollack, já tinha apresentado um expediente ao tribunal pedindo que Maduro e Cilia fossem liberados das acusações. O argumento central era claro: Washington estaria violando a Sexta Emenda constitucional e o devido direito à defesa na medida em que está impedindo que a Venezuela financie os custos da defesa de seu presidente. É um direito de todo prisioneiro contar com defesa legal e se o Estado bloqueia esta representação, o juízo perde sua base constitucional.
«Todas as perguntas começaram a girar em torno desta questão”, informou o jornalista Francis Mexidor, que acompanhou a audiência. Tanto a defesa como a Procuradoria insistiram na necessidade do direito à defesa legal. A questão principal foi que o bloqueio financeiro tornava inviável o juízo na medida em que não havia garantias mínimas aos acusados.
Depois de ouvir o advogado e a Procuradoria, o juiz negou que o processo se encerrasse por este motivo. Afirmou que poderia revisar a sua posição caso fosse provado que o governo dos EUA estava agindo de má fé ao impedir que a Venezuela financiasse a defesa. Dito isso encerrou a sessão sem marcar uma nova data, o que significa que Maduro e Cilia seguirão presos, sem qualquer acusação, de maneira ilegal e ainda sem direito a defesa, já que os EUA não permitem que seja usado dinheiro venezuelano para a contratação do advogado. Um impasse bastante confortável para o governo dos Estados Unidos que quer seguir roubando as riquezas da Venezuela.
É importante salientar que pouco tempo antes de começar a sessão da corte o presidente Donald Trump falou à imprensa dizendo que Maduro era um “homem perigoso” e insistiu em dizer que era ele, Maduro, o responsável pelo tráfico de drogas aos Estados Unidos. Ou seja, o homem que está surrupiando petróleo e recursos financeiros da Venezuela, e se recusa a permitir que o advogado de Maduro seja pago, ainda se dá ao direito de pressionar o juiz.
O que se apresenta assombroso é o fato de a mídia – tanto estadunidense como mundial – reproduzir esses absurdos proferidos por Donald Trump como se fosse algo normal. Ora, tudo naquele processo é ilegal. Desde o sequestro que deixou mais de 100 mortos, a prisão sem acusações plausíveis, e agora o impedimento do direito à defesa. Enquanto isso Maduro e Cilia seguem presos, sem que haja qualquer acusação contra eles, a não ser as estapafúrdias alegações de Trump.
A nota tragicômica foi que diante do juiz Alvin Hellerstein, os advogados de acusação, sem o recurso do Cartel de Soles ou do narcotráfico, passaram a alegar que o presidente Maduro tinha “saqueado” a Venezuela e que por isso não deveria ter dinheiro para sua defesa. Uma piada patética diante da realidade. Afinal, quem está saqueando a Venezuela são os Estados Unidos, desde o roubo do ouro e das divisas, até o roubo de aviões e agora, do próprio presidente.
Os governantes do mundo seguem em silêncio.
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Com informações da Telesur
Texto: Michel Goulart da Silva
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Texto: Maria Eduarda Furlanetto - estagiária de Jornalismo
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