Colômbia: contra a fraude, desobediência civil
Texto: IELA
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Sempre tenho cravada na memória a imagem da casa presidencial do Panamá, onde vivia Omar Torrijos quando dirigente do país, erguida a poucos metros de um edifício bastante popular de onde se podia ver claramente os cômodos. Algo impensável em qualquer lugar. E contam os panamenhos que Torrijos tinha por hábito sentar numa das varandas para fumar seu charuto ao fim da tarde, cumprimentando um e outro que passava pela rua logo abaixo. Era um líder completamente misturado com seu povo. Não tinha medo dos seus. Astuto, irreverente, simples e imensamente sagaz ele passou pelo poder sem ser mordido pela mosca azul.
Hoje a América Latina insurgente lembra o aniversário de morte deste grande revolucionário da Pátria Grande: Omar Efraín Torrijos Herrera, o presidente do Panamá que garantiu a retomada do Canal para o povo panamenho. Líder da revolução panamenha, ele assumiu o governo em 1968 num momento de grandes tensões no continente, quando muitos países viviam ditaduras e outros ensaiavam revoluções. Até aqueles dias os Estados Unidos eram os “donos” do Canal do Panamá, tendo, inclusive, imunidade dentro da área do canal. Ali não podiam entrar os panamenhos ainda que fosse território nacional.
Depois de muitas negociações – sempre ameaçando explodir o canal – com o então presidente dos EUA, Jimmy Carter, ele conseguiu um acordo no qual os Estados Unidos devolveriam o canal e toda a área ocupada no ano de 2000. Isso foi uma grande vitória para o povo panamenho, mas irritou o poder no país do norte.
Não foi sem razão que em 1981, dois meses depois de Ronald Reagan assumir a presidência dos Estados Unidos, no lugar de Carter, o avião no qual viajava Torrijos caiu no mar em circunstâncias até hoje não reveladas. Muito provavelmente foi assassinado pela CIA.
Para conhecer um pouco da história deste homem extraordinário, que o google chama de ditador, leia o texto de Maicon Cláudio da Silva, “O pensamento político de José de Jesús Martínez e Omar Torrijos no Panamá”. Unindo os escritos de Chuchu Martínez sobre Torrijos, vamos descortinando a rica história política do Panamá e de um de seus mais amados governantes.
O texto do Maicon é uma belezura só, assim como Omar. Viva Torrijos!
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