Victor Jara, presente!

16 de Setembro de 2016, por Maicon Cláudio da Silva

Em um dia como este, 16 de Setembro, há exatos 43 anos, o cantor e compositor chileno Victor Jara era assassinado pela Ditadura de Augusto Pinochet. Victor foi um dos mais importantes nomes da música popular do Chile. Responsável por grantes canções como "Te recuerdo Amanda", "Zamba del Che", "Duerme, duerme negrito" e "El derecho de vivir en paz". Comunista, sempre esteve envolvido com as causas populares chilenas e latino-americanas. 


Depois do golpe de 11 de Setembro de 1973, levado a cabo por Augusto Pinochet, e que culminou com o bombardeio ao Palácio Presidencial de La Moneda e o assassinato do presidente Salvador Allende, uma série de pessoas ligadas aos movimentos populares foi presa, torturada e assassinada pelas forças militares. Esse foi o caso de Victor, que foi sequestrado junto a professores e estudantes da Universidad Técnica del Estado, onde trabalhava. Levados todos ao Estádio Nacional de Chile, ficou preso por quatro dias. Foi torturado (entre outras coisas, lhe realizaram queimaduras com cigarros, quebraram seus dedos, e o submeteram a simulações de fuzilamento), e finalmente, em 16 de Setembro foi fuzilado. Seu corpo foi encontrado dias depois abadonado, com 44 furos de bala.

Preso, escreveu seu último poema, "Somos cinco mil", também conhecido como "Estadio Chile":

Somos cinco mil
en esta pequeña parte de la ciudad.
Somos cinco mil
¿Cuántos seremos en total
en las ciudades y en todo el país?
Solo aquí
diez mil manos siembram
y hacen andar las fábricas.
¡Cuánta humanidad
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura!

Como diz a música de Mercedes Sosa, "Si se calla el cantor, calla la vida. Porque la vida, la vida misma es todo un canto." Em um momento como o atual, difícil em toda a América Latina, não esqueçamos a lição de Victor Jara, não esqueçamos o compromisso que a música, a arte, deve ter com o povo. Aquele que não se posiciona assume o lado do mais forte. Victor Jara ousou lutar contra os mais fortes. Pagou caro por isto, mas sua voz nunca pode ser calada.

Victor Jara, presente!