O impeachment de Dilma Rousseff
Texto: Michel Goulart da Silva
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O A, É, Cio dos tucanos
Por Guilherme Gravina Pereira
06.11.2014 – Novamente contamos nessas eleições presidenciais com o mais do mesmo na política. Dois candidatos, uma proposta: salvar o Brasil dos altos índices da inflação ampliando o assistencialismo filantrópico aos pobres. Messianismo barato, repercutido na mídia venal e sucursal da penetração imperialista.
Aécio Neves veste sua capa de super-herói norte-americano e percorre o Brasil com olhar ultravioleta além do alcance, diagnosticando as causas e os efeitos gerados pelos governos de Lula e de Dilma. Transforma-se no herói popular, a panacéia da sociedade brasileira com discurso inflado inclinando-se para o nacionalismo.
Acalmem-se um pouco! Não cheira mal esta história? Ainda mais vindo de candidato e de partido, ambos comprometidos com o capital financeiro internacional?
O que se deve levar em conta nas disputas eleitorais não é o caráter subjetivo mas sim o objetivo: quem está por detrás das campanhas e a quais finalidades estas buscam, ou seja, quem deve obedecer a quem. Como já é sabido a grana do PSDB vem de São Paulo, das empresas multinacionais e da oligarquia latifundiária. A política é feita sob o interesse destes grupos, movidos pela necessidade dos lucros a qualquer custo. Não interessa ao tucano erradicar a propriedade fundiária, diminuir a taxa de lucro das multinacionais ou organizar a unidade latino-americana solidária.
O caráter espetaculoso da mídia em prol de Aécio Neves é que o consagrou nacionalmente como a renovação das turvas fontes de águas, que “outrora” eram límpidas. Sustentabilidade. Ecocapitalismo. O mineiro foi apresentado ao público (do proletariado do ABC paulista ao seringueiro do Acre) com historietas, contos da carochinha e a mirífica liderança do vovô Tancredo e do titio FHC. Amor, caridade, esperança, sem falar da incessante ênfase no morto que se consubstanciou na pele de santo. Para o filósofo Régis Debray a morte de um homem pode divinizá-lo e o túmulo se tornar o altar. Daí a necessidade das pessoas elegerem um santo e das igrejas satisfazerem estas necessidades. Vivo, Eduardo Campos nunca iria desistir do Brasil. Com este slogan, Marina e Aécio cultivavam no imaginário popular a beatificação do morto e os seus futuros milagres.
Em todos os debates televisionados o que prevaleceu foi a ofensa, o pluralismo, a diferença e a exaltação dos pequenos projetos de reforma, sendo dispersão a palavra de ordem do dia. A luta de gênero, raça e credo sobrepujaram a unidade, a organização e os interesses coletivos. Que vençam as minorias. Não há o julgamento crítico do dizer para o fazer dos políticos. Aécio sabe muito bem que os interesses do capital internacional, que estão arraigados no seio do seu partido, são os da exploração da força de trabalho para o enriquecimento do privado. Sabe também que há um hiato abissal entre o dizer e o fazer na política. Um político é um teólogo por isso a extrema necessidade do blá-blá-blá engabelador.
Agora o que está em voga é se as votações no Brasil refletiram um descontentamento na metade da população. Acredito que não. O descontentamento foi apenas da classe dominante no país temendo perder a sua posição privilegiada. A luta de classes se sobressai mais uma vez na história e é aí que reside o perigo do próximo governo Dilma. A pequena burguesia enraivecida virá a todo vapor, com o amparo da comunicação de massa, na tentativa de derrubada do governo. Dona Dilma, tome cuidado, o pesadelo da história não tem despertador.
Texto: Michel Goulart da Silva
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares