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Venezuela: mais um golpe

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Por Elaine Tavares em 01 de setembro de 2026

Venezuela: mais um golpe

A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou um acordo com os Estados Unidos para a exploração do petróleo, com validade de 25 anos, que garante aos EUA pelo menos 25% das reservas do país. Atualmente a Venezuela soma 303,2 bilhões de barris de reservas comprovadas, o que coloca o país numa posição bastante importante no mundo. Sua produção diária de petróleo está em 921 mil barris num sistema que que ainda tem esse combustível fóssil como principal matriz energética e que até 2050 seguirá tendo pelo menos 25% de participação. O acordo é fundamental para manter as refinarias estadunidenses funcionando e gerando a energia que o país do norte precisa.

Com esse acordo, que implica em investimentos na ordem dos 100 milhões de dólares, a Venezuela deverá reabrir campos marginais que estão sem exploração. O serviço deverá ficar na mão de duas gigantes do setor: a Chevron e a Repsol. Ocorre que não há qualquer vislumbre de que o país vá romper com o esquema puramente extrativista. Estas empresas deverão investir apenas na extração do petróleo, sem nada que garanta a recuperação das refinarias.

Donald Trump assegurou nas suas redes sociais que o acordo garante o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris das reservas e informou que as empresas encarregadas da exploração terão 100 anos de garantia. “O melhor contrato dos últimos tempos”.

Nas fileiras da direita venezuelana os políticos aprovam o plano, embora afirmem que Delcy não tem legitimidade para seguir no comando. Pedem eleições imediatas para poder botar a mão nos recursos que virão. Mas, Trump insiste que Delcy é parceira dos EUA e não tem interesse em mudar o jogo.

Já no campo da esquerda há bastante indignação com a decisão de entregar o petróleo assim como a soberania. A presidente Delcy declarou em rede nacional que os 100 bilhões que serão investidos na Venezuela trarão ganhos para a população, mas analistas apontam que as empresas estadunidenses que virão extrair o petróleo não têm planos de investir no país. Na verdade, o acordo pode até resolver alguns problemas fiscais do presente, mas comprometem de maneira profunda as possibilidades de futuro.

Desde Chávez, os venezuelanos não rechaçam investimentos estrangeiros, mas sempre se considerou que estes investimentos não se consolidassem em perda de soberania. Na Venezuela de hoje, depois de os Estados Unidos terem realizado uma guerra econômica contra o país, sequestrado o presidente Maduro e uma deputada da Assembleia Nacional e submetido os governantes, não parece provável que o tal “acordo” seja para benefício da população.

A Venezuela parece voltar aos velhos tempos de submissão e entreguismo e ainda que haja mobilizações de grupos de esquerda no país, a maioria se mantém confiante na presidente Delcy. O PSUV, partido do governo, respalda a decisão e afirma que o acordo é fundamental para que sejam suspensas as sanções e bloqueios impostos pelos EUA.

E, enquanto o petróleo venezuelano escorre para as refinarias estadunidenses, Cuba segue sem uma gota do precioso líquido. A parceria política que sempre ligou os dois países está interrompida. Ou seja, a Venezuela se ajoelha.

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