Memória: A primeira Jornada Bolivariana
Texto: IELA
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Na Venezuela, o povo pratica a espera ativa. Alerta e em luta . Foto: Reprodução Twitter
O livro do cubano Ramiro Guerra, “A expansão territorial dos Estados Unidos”, lançado em 1970, é um clássico ao qual sempre é bom retornar. Nele, Guerra mostra todas as mentiras e artimanhas do país do norte para abocanhar as colônias recém-libertas da América do Sul, Central e Caribe. Imbuídos da ideia messiânica de “escolhidos por deus”, os dirigentes dos Estados Unidos decidiram que era seu “destino manifesto” dominar os novos países que nasciam depois das guerras de independência. A partir daí passaram a atuar como um império, ampliando suas fronteiras. O discurso era exatamente o mesmo de hoje: levar a democracia e a liberdade, como se as populações dos estados nascentes não tivessem capacidade para se autodeterminar.
As técnicas de rapinagem também não mudaram muito desde o começo do 1800. Mentiras, manipulações, subornos e criação de revoltas internas, visando gestar nas populações a vontade de se entregar a um poder mais, capaz de trazer a paz. Foi assim nas terras mexicanas, onde agentes dos Estados Unidos chegavam para criar focos de rebeliões exigindo “liberdade” de Espanha. Nessa toada surrupiaram praticamente a metade do país. Onde não atuavam com as armas, criavam “fantasmas” ou “inimigos” que precisavam ser eliminados e que só com sua ajuda seria possível. Criaram até um conceito para essa tática de criação de mentiras e armadilhas: a espera paciente. Fomentavam distúrbios até o país não aguentar mais. Quando estava frágil, iam lá e pimba. Dominavam. Os inimigos bem demarcados: os espanhóis, os ingleses, depois, mais para frente os comunistas. Sempre um fantasma para assustar as gentes.
Hoje, já no século XXI os Estados Unidos seguem usando as mesmas técnicas. Quem não se lembra das “armas químicas” no Iraque? A mídia mundial disseminou essa mentira, e tanto, até que finalmente os EUA entraram lá, derrubaram Sadam, destruíram o país e: surpresa… Não encontraram nada. Esse fantasma também foi responsável por várias investidas no chamado Oriente Médio. Derrubar “ditadores” também é mentira que cola. Obviamente que os ditadores a serem derrubados são sempre os que buscam uma via nacional de desenvolvimento e preferem não se alinhar com o império estadunidense. Ditadores amigos são deixados em paz. Na Palestina o “fantasma” é o terrorista. A mentira é disseminada dia e noite: palestinos são terroristas, são terroristas, são terroristas. E isso por si só justifica um genocídio.
A mais recente vítima é a Venezuela. Nicolás Maduro, que nem é Chávez, nunca foi aceito pelos EUA porque se nega a dobrar os joelhos para o império. Vai daí que a campanha de mentira começou logo depois da morte de Chávez, colando em Maduro a etiqueta de “ditador”. Um presidente eleito três vezes pelo povo. Primeiro como vice de Chávez e depois mais duas vezes já então como presidente mesmo. Eleito pelo voto popular e universal! Ainda assim, toda a mídia insiste em chama-lo de ditador. Faz parte do processo de “espera paciente”. Contra ele foi aberta uma guerra econômica implacável, tão logo assumiu seu primeiro mandato. Uma guerra que trouxe fome e miséria para o povo. Desde aí, a cada dia uma nova sanção. A Venezuela foi estrangulada, o dinheiro do povo roubado e até aeronaves foram confiscadas pelo “xerife mundial” sob a mentira de que Maduro é ditador. O povo venezuelano sofreu, mas ainda assim, resistiu.
Então era preciso mais uma mentira. Agora é o narcotráfico. Do nada, a Venezuela virou um país narcotraficante. E Maduro apontado como o líder de uma facção. A mídia reproduz alucinadamente. Não há provas, não há dados, nada. Apenas a palavra do presidente dos EUA – Donald Trump – que, “escolhido por deus”, decidiu que talvez essa mentira agora possa destruir Maduro e o país. Segue em “espera paciente”. Para dar concretude à mentira, os Estados Unidos atacaram barcos, mataram pescadores, acusando-os de “narcotraficantes”, sob o silêncio de quase todo o mundo. Quem é o criminoso aí? Nas últimas semanas os EUA impediram os aviões de passar pelo espaço aéreo da Venezuela, causando transtornos enormes para as companhias, alegando que poderiam ser abatidos pelos “narcos”. Com isso impedem a entrada e saída de qualquer um. O tal do ir e vir. Como chamaríamos isso? Quem lhes dá direito de decidir sobre o espaço de outro país? Ninguém questiona.
Hoje o Departamento de Estado de Estados Unidos “determinou” que está atuando na Venezuela o Cartel de Soles, formado por uma rede de altos oficiais militares e funcionários do governo e então, decidiu que esta á uma organização terrorista e que precisa ser combatida. A resolução firmada pelo Secretário Marco Rubio permite que as autoridades estadunidenses executem ações judiciais, financeiras e operativas contra pessoas e entidades vinculadas ao suposto cartel. Ou seja, vai se fortalecendo a trama em torno da Venezuela, esperando exaurir o governo. O plano é o mesmo de sempre, fragilizar, fragilizar, fragilizar, até o bote final.
Na América Latina, excetuando Cuba e Colômbia, não se vê governantes condenando esta ação predatória dos Estados Unidos. Ouvidos moucos e olhos tampados. E águia segue, a espreita, em estado de “espera paciente”. Dentro da Venezuela a população se prepara. Sabe que a ação imperialista não é brincadeira. Conhecem a história. Desde a tomada das terras mexicanas, passando pelos golpes militares em praticamente todos os países ou invasões armadas como na Guatemala, Granada, Panamá e Haiti.
Há quem diga que os Estados Unidos não serão capazes de uma intervenção armada na Venezuela. Mas, há muitas maneiras de “matar o coelho”. E nisso os governantes estadunidenses são mestres. Criar o caos, o desastre, a revolta, até que os próprios venezuelanos clamem por ajuda. Os vende-pátria, é claro! Como sempre foi na história. Enquanto esperam, os EUA vão destruindo a economia, infectando espíritos, vomitando mentiras. E nessa toada, vão destruindo o país, pois tudo precisa ficar alerta à espera de um ataque. É uma jogada de mestre. E tão bem conhecida que espanta ainda não ter sido criado um antídoto contra isso. É preciso um grande espírito de corpo para defender as conquistas da revolução. Cuba é um exemplo. Outro país acossado há mais de 60 anos pelo império que, espera, paciente, o tempo de reduzir a pó a vitória do povo.
Em Cuba, não conseguiram. Na Venezuela, estamos por ver. Quiçá os venezuelanos também pratiquem a “espera paciente”, em paz armada, até que o império esteja em ruinas. Sim, porque mesmo os impérios morrem.
Texto: Michel Goulart da Silva
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares