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Tempos Perigosos

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Por Rafael Cuevas Molina - Presidente AUNA-Costa Rica em 18 de dezembro de 2025

Tempos Perigosos

Reprodução/vídeo – ataque dos mariners ao navio venezuelano

Vivemos tempos perigosos, repletos de riscos, alguns mal contidos, como se aguardassem as condições que lhes permitam desencadear maiores excessos que, como vemos, serão recebidos com aplausos entusiasmados da grande maioria.

É difícil não soar alarmista ou mesmo apocalíptico sobre o que está acontecendo no mundo. Não falarei agora dos grandes perigos que pairam sobre a humanidade, como uma guerra atômica devastadora ou as mudanças climáticas, com as quais nos aproximamos do precipício como loucos.

Referir-me-ei ao que estamos vivenciando com este governo americano, o de Donald Trump, que se comporta como um bandido que, além disso, insulta e vocifera como o pior dos valentões.

Há uma série de coisas que ele e sua equipe fizeram em menos de um ano no cargo. Eles são como uma gangue de foras da lei que possuem as armas mais poderosas do mundo, se gabam disso e as usam para ameaçar a todos os lados. Parece que o único que escapou ao seu escrutínio até agora é Vladimir Putin, cuja equipe expressou satisfação com o último documento publicado pela Casa Branca, sua Estratégia de Segurança Nacional.

Em relação à América Latina, nessa reorientação da estratégia dos EUA, não há meias medidas nem ambiguidades: o governo Trump invoca explicitamente a Doutrina Monroe nesse documento oficial — que, na verdade, os Estados Unidos nunca renunciaram — e que atualizaram com corolários específicos durante a primeira metade do século XX, assim como Donald Trump está fazendo agora.

Nesta ocasião, eles buscam reforçar o domínio dos EUA sobre o que chamam de Hemisfério Ocidental, por meios lícitos ou ilícitos, mas, dada a enumeração de estratégias específicas mencionadas, priorizam as ilícitas.

Isso já é evidente hoje em dia com o cerco que estão estabelecendo por mar e ar ao redor da Venezuela. Tudo o que ele faz lá vai contra a ordem internacional, mas ele não se importa; não lhe diz respeito.

O que ele fez nos últimos meses não deveria ser tolerado por ninguém, muito menos o que fez na semana passada: apreender um petroleiro carregado com petróleo venezuelano no oceano e, em seguida, declarar cinicamente de sua mesa no escritório que ficaria com o combustível.

Isso é pirataria, literalmente roubo armado. No entanto, muitos que deveriam estar reagindo e condenando o ato o recebem com indiferença. Entre eles está a ONU, que permanece em silêncio, sem emitir qualquer declaração e, muito menos, sem tomar qualquer medida. Uma organização que está sendo relegada à irrelevância, que não tem envolvimento onde deveria ser uma força motriz: na guerra na Ucrânia, em Gaza e, claro, no que o governo dos EUA está fazendo no Caribe.

O que Trump está fazendo lá não se limita à Venezuela, embora esse seja o epicentro e o foco de suas ações. Há também a Colômbia, que ele ameaça como um valentão sempre que abre a boca, difamando e insultando seu presidente. E depois há o México, sobre o qual paira uma nuvem de incerteza, não só com suas tarifas, mas também com a possibilidade de intervenção militar.

Teríamos que continuar listando o intervencionismo flagrante de Trump, mas seria interminável, acrescentando, por exemplo, como ele interferiu nas eleições hondurenhas e argentinas, sem mencionar seu relacionamento com El Salvador e Nayib Bukele, especificamente com sua prisão conhecida como CECOT, que se tornou uma filial daquela que eles têm em Guantánamo.

O exemplo de Donald Trump está se espalhando pelo mundo. Pequenos Trumps estão surgindo em todos os lugares, emuladores do egomaníaco ignorante em Washington, cada um com ideias e planos que imitam os de Hitler, Mussolini e Francisco Franco, o ditador espanhol cujos crimes permanecem impunes.

E não é como se eles tivessem alternativas viáveis ​​na arena política. O que eles geralmente têm é a direita “tradicional”, aquela que mantém uma aparência de realismo, mas que, no fundo, concorda sem rodeios com o que a direita recém-criada diz.
Eles conseguiram ascender e se posicionar porque são populares, um apoio, além disso agressivo, que se importa pouco com as qualidades éticas daqueles que os apoiam. A humanidade já passou por isso; popularidade não é sinônimo de estar no caminho certo. Hitler e Mussolini eram imensamente populares, sabemos disso, e também sabemos como eles e as pessoas que os apoiaram terminaram.

Em nossas pequenas vidas cotidianas, o que prevalece é a impotência de poder fazer pouco ou nada, de sermos meros observadores dos excessos desses déspotas contemporâneos que, indiretamente, nos insultam quando nos tratam — latino-americanos do Sul Global — como restos desprezíveis que não merecem atenção, muito menos respeito.

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