Sucre e Bolívar, uma amizade

17 de Fevereiro de 2020, por Elaine Tavares


Antonio José de Sucre tinha 15 anos de idade quando se juntou à luta pela independência da Venezuela em abril de 1810. Em julho já era subtenente de infantaria e 15 anos depois chegava ao posto de general em chefe. Amigo dileto de Bolívar foi ao longo da guerra de independência seu mais leal soldado. A sua ação magistral na condução e na vitória da importante Batalha de Ayacucho, em 1824, que deu o golpe final nos realistas, lhe garantiu o título de “Mariscal”. A ele Bolívar confiou as mais importantes batalhas e, quando avançou para a libertação da região de Charcas, hoje Bolívia, o nomeou seu primeiro presidente. Seria, sem dúvida, o sucessor do libertador.

Mas, quando um grupo de generais decidiu trair Bolívar dando início ao processo de balcanização da América do Sul, contra a proposta de Pátria Grande, selou-se também o destino de Sucre. Por isso, em 4 de junho de 1830 ele foi emboscado e assassinado nas montanhas de Berruecos, próximo a San Juan de Pasto, na Colômbia, quando seguia para Quito. O plano para matar Sucre foi muito bem urdido pelo general venezuelano Juan José Flores que temia ver Sucre presidente do Equador. Tanto que ao saber que o Mariscal seguiria de Bogotá para Quito, armou emboscada em todos os possíveis caminhos. Seu corpo tombou na estrada de San Juan e ficou no tempo por mais de 20 horas até que lhe providenciassem a última morada. 

Bolívar, ao saber da morte do amigo, expressou sua dor: “Eu creio que a mira desse crime foi privar a Pátria de um sucessor meu. Santo Deus!. Derramaram o sangue de Abel! A bala cruel que lhe feriu o coração, matou a Colômbia e me tirou a vida.

Os mesmos traidores que mataram Sucre já haviam tramado e tentado contra a vida de Bolívar quatro anos antes, quando ele foi salvo por Manuela Saenz. 

Destruído pela dor da morte do amigo e pelo desmantelamento da Gran Colômbia, já totalmente afetado pela doença, Bolívar retirou-se para a quinta de um amigo, onde morreu, seis meses de pois de Sucre, cercado pelos seus, em 17 de dezembro, aos 47 anos de vida. 

Esta é a última carta que lhe escreveu Sucre, numa de suas muitas despedidas, um mês antes de sair de Bogotá, para logo em seguida ser alvejado pela traição. Os dois grandes generais da libertação da América do sul encantaram no mesmo ano e deixaram atrás de si a liberdade.  

“A S.E.
El Libertador de Colombia
General Bolívar etc. etc. etc.
Mi General:
    Cuando he ido casa de Vd. para acompañarlo, ya se había marchado. Acaso es esto un bien, pues me ha evitado el dolor de la más penosa despedida. Ahora mismo, comprimido mi corazón, no sé qué decir a Vd.
    Más no son palabras las que pueden fácilmente explicar los sentimientos de mi alma respecto a Vd.; Vd. los conoce, pues me conoce mucho tiempo y sabe que no es su poder, sino su amistad la que me ha inspirado el más tierno afecto a su persona. Lo conservaré, cualquiera que sea la suerte que nos quepa; y me lisonjeo que Vd. me conservará siempre el aprecio que me ha dispensado. Sabré en toda circunstancia merecerlo.
    Adiós mi General, reciba Vd. por gaje de mi amistad, las lágrimas que en este momento me hace verter la ausencia de Vd. Sea Vd. feliz en todas partes, y en todas partes cuente con los servicios, y con la gratitud
    De su más fiel y apasionado amigo,
A.J. de Sucre

Bolívar chegou a responder a carta em 26 de maio, sendo, certamente as últimas palavras de Bolívar que o Mariscal pode desfrutar.

A S.E. el general Sucre.
Mi querido general y buen amigo: La apreciable carta de Vd. sin fecha, en que Vd. se despide de mí, me ha llenado de ternura, y si a Vd. le costaba pena escribírmela, ¿qué diré yo?, yo que no tan sólo me separo de mi amigo sino de mi patria! Dice Vd. bien, las palabras explican mal los sentimientos del corazón en circunstancias como éstas; perdone Vd., pues, las faltas de ellas y admita Vd. mis más sinceros votos por su prosperidad y por su dicha. Yo me olvidaré de Vd. cuando los amantes de la gloria se olviden de Pichincha y de Ayacucho. Vd. se complacerá al saber que desde Bogotá hasta aquí he recibido mil testimonios de parte de los pueblos. Este departamento se ha distinguido muy particularmente. El general Montilla se ha portado como un caballero completo.
Saludo cariñosamente a la señora de Vd. y protesto a Vd. que nada es más sincero que el afecto con que me repito de Vd., mi querido amigo, su
Bolívar.

Fica o registro dessa linda amizade que perpassou todo o processo de libertação.