Câmara de Representantes da Flórida propõe armar os professores

1 de Março de 2018, por Elaine Tavares

Foto: Democracy Now!
Foto: Democracy Now!

Nos Estados Unidos, o drama dos massacres de crianças e adolescentes, que são recorrentes, não é obra de alguns doentes ou psicopatas. Elas acontecem porque as crianças são ensinadas desde pequenas a amar as armas e os jogos de guerra. Segundo reportagem da jornalista Amy Goodman, nas escolas públicas, desde a terceira série as crianças começam a brincar de guerra usando Legos e no secundário já aprendem a atirar com rifles automáticos. Três mil escolas nos EUA têm projetos com as Forças Armadas e a Associação Nacional de Rifles e pelo menos 1.600 delas possuem campos de tiro nas suas instalações. Ou seja, é uma política de Estado apostar na guerra e na violência contra o outro. Por isso são tão comuns os massacres envolvendo escolas. 

Agora, com o presidente Donal Trump o drama toma novas proporções. Diante do último massacre que ceifou 17 vidas numa escola, a Marjory Stoneman Douglas, localizada em Parkland, Flórida, a resposta do presidente estadunidense foi estarrecedora. Em vez de discutir os programas de tiro e a difusão da violência dentro das escolas ele propôs armar os professores. 

Os protestos começaram imediatamente e, principalmente os alunos que vivenciaram o último massacre têm sido fundamentais nesse debate. Inclusive, por conta de suas manifestações públicas está sendo organizada uma “Marcha  para nossas vidas”, em 24 de março, na capital, Washington.

Na contramão de todo esse protesto e do pânico que se espalha no país, o Comitê de Propostas da Câmara de Representantes da Flórida votou a favor de criar um programa estatal, com um investimento de até 67 milhões de dólares, com o propósito de armar os professores nas salas de aula. Segundo os legisladores, um professor armado de fuzil dentro da classe pode proteger os alunos de eventuais atiradores “desequilibrados”. Ontem, os estudantes da escola que viveu o drama dos assassinatos em massa voltaram às aulas, e terão de lidar com mais esse avanço da lógica da guerra nos seus espaços de ensino. 

A proposta ainda não passou em plenário, mas pelo andar da carruagem, muito dificilmente encontrará obstáculos, mesmo com todos os protestos da sociedade. 

E assim, vai se consolidando, com a pedagogia da guerra, uma nação imperialista para quem a violência é matéria prima, forjando desde a infância, adultos belicosos. Dramático! 

Com informações do Democracy Now.