Eleições legislativas nos Estados Unidos

26 de Outubro de 2018, por Elaine Tavares


Os estadunidenses vivem esse ano, no dia seis de novembro, as suas eleições legislativas, conhecidas como “eleição do meio do mandato”, visto que acontecem na metade do mandato presidencial e, por isso, assumem sempre um caráter plebiscitário, aprovando ou não o trabalho do chefe da nação.

As eleições nos Estados Unidos são bem diferentes das do Brasil. Lá, o voto não é obrigatório e a cada processo o eleitor precisa se registrar para votar. Isso acaba fazendo com que os partidos trabalhem bastante e o tempo todo para fazer com que as pessoas se sintam impelidas a ir fazer seu registro. Por outro lado, com o registro feito, a pessoa tem várias formas de submeter o seu voto, que pode ser presencialmente por cédula, eletronicamente e até por correio. No geral, a abstenção é grande e, conforme as pesquisas, os eleitores que se registram seguem um padrão branco, renda média e alta, e bom índice de educação. 

As eleições do meio do mandato elegem a Câmara de Representantes, com 435 cadeiras, para dois anos de mandato. Cada um dos estados é dividido em distritos de 710 mil pessoas e cada um desses distritos pode eleger um representante, que se elege com maioria simples, sem precisar ter 50% mais um. Isso faz com que a representação dos estados mais populosos seja bem maior. Estados pequenos, com pouca densidade demográfica, têm apenas um representante. Isso não muda. A Califórnia, que é a de maior índice populacional tem 53 representantes enquanto o Wyoming, por exemplo, tem um. 

Já o Senado tem duas cadeiras para cada estado, formando assim 100 senadores, com seis anos de mandato.

Esse ano, com o sistemático, e bem mais divulgado ataque aos migrantes, as eleições prometem uma participação bastante grande da população latina que vive nos Estados Unidos, e que é bastante expressiva. Segundo as entidades hispânicas, que trabalham com os migrantes e suas famílias, existem hoje nos EUA mais de sete milhões de latinos aptos para o voto. Os estados do Arizona e da Califórnia somam entre seus eleitores registrados 25 a 33% de latinos, o que lhes garante um protagonismo no processo. 

Não é sem razão que a campanha esteja pegando fogo, inclusive com ameaças de bomba a críticos do governo Trump. 

Nos Estados Unidos, embora existam outros partidos menores e possa haver candidaturas independentes, a disputa sempre fica entre o Partido Republicano e o Partido Democrata, que se diferenciam muito pouco nas políticas gerais, sendo o Democrata aquele que tem um pouco mais de sensibilidade social, quando o Republicano é bem mais duro.   

Para os críticos do atual presidente Donald Trump, as eleições do dia seis serão um momento importante para rechaçar as políticas republicanas. Resta esperar para ver.