Fascismo Kitsch condomínio da Tijuca

1 de Novembro de 2018, por Gilberto Felisberto Vasconcellos

Cena do filme de Stanley Kubrick, Nascido para Matar
Cena do filme de Stanley Kubrick, Nascido para Matar

Agora a vez e a hora é a oposição ao bolsonarismo, tendo em mira que pela primeira vez depois da “abertura” o marxismo surge como adversário. 

O “vai para Cuba” reatualiza o “ame ou deixe-o”. 

Quem nunca antes ouviu falar em Carlos Marx e Frederico Engels, está ouvindo pela primeira vez. Ironia à parte, Bolsonero está divulgando o marxismo. A juventude pergunta: que bicho papão é esse? O irracionalismo em primeiro plano se fará pela repressão policial contra os intelectuais, os professores e as universidades. 

O anti-intelectualismo será um dos traços essenciais da era Bolsonaro contra os direitos dos trabalhadores.

Paulo Guedes, o Chicago Boy banqueiro, não vai melhorar a situação das camadas populares. 

Paulo Guedes (poderia ser Gustavo Franco da Garça’s House filiado ao Robertocampismo) é o banqueiro ditando para o capitão Jair o roteiro multinacional. 

Ok ok ok ok ok ok. 

Nenhuma novidade em relação às políticas econômicas anteriores. Vamos aprofundar a privatização. 

Capitalismo de fisionomia desumana. Quanto ao bolsonapartismo ninguém pode precisar como será sua permanência no poder. Sarney vaticinou seis meses, vaticínio feito antes de sua filha, Roseana, ter bolsonado no Maranhão. 

Cogita-se de um general Heleno para conter o esfalecimento da nação. O problema nas Forças Armadas é o repúdio entreguista contra Ernesto Geisel.

Haverá os intelectuais aduladores recitando os dias felizes em que o capitão lia as obras completas de Oscar Wilde.

O discurso segue o ritmo de parada militar com palavra de ordem. Discurso curto, incisivo para ser seguido sem pestanejar. 

Marcha, soldado. Marcha, hermano evangélico. 

Sir, yes, Sir. 

Lembra a prosódia do filme de Stanley Kubrick Nascido para Matar. 

Os herdeiros de Roberto Marinho já estão preparando a venda da TV Globo para Rupert Murdoch, talvez Edir Macedo.

Os filhos do doutor Marinho vão viver de renda em Miami. A jornalística Globo News sabe que inexiste “perigo cultural marxista”. Tampouco o Presidente acredita nisso. Está blefando, nem sabe o que significa marxismo, e muito menos cultural. 

É arriscado esperar por uma entropia evangélica com a morte de Edir Macedo e o bafafá em torno de sua sucessão. Fato é que a mutação antropológica do homem brasileiro já está em curso. A cabeça evangélica foi preparada pela vacuidade telenovelística. 

Repitamos com Pier Paolo Pasolini que denunciou a alma clérico-fascista. Estamos todos em perigo. Da ameaça à perseguição. 

Na Itália o fascismo foi a idade do Kitsch. Há que se indagar sobre a estrutura lingüística e mental do bolsonarismo em que não há pietá, nenhum signo de compaixão. Em sua superestrutura psíquica o que prepondera é menos o desejo do que a aversão.

No dia da vitória eleitoral, acompanhada de um espalhafatoso pastor, o próximo chefe de Estado revira os olhos para o céu como um devoto em transe evangelical gun. Claro que isso tudo de mentirinha fazendo cena jogando para a plateia. 

A difusão do medo foi uma estratégia eleitoral. Porrada, agressão, xingamento. Dando impressão de valentia, que é muitas vezes um jeito de esconder o temor.

Como é que uma coisa que não é nova pode ser tomada como novidade? O liberal Augusto Pinochet no Chile veio depois do golpe privatizante de 1964 consolidando institucionalmente o domínio das multinacionais no país. 

A indústria da arma de fogo foi a primeira corporação moderna do capitalismo. 

Cadê o Golbery do Jair?

Nem o fifósofo Olavo lava-égua será capaz de aceitar o papel de sub-Bannon da escatologia reacionária judaico-cristã.

Abaixo o Islã. 

Abaixo o Manifesto do Partido Comunista. 

Não esqueçam que a Câmara dos Deputados viciou o Jair na preguiça style. Duas décadas com deputança maré mansa. 

Ainda que haja precedente (lembrem-se de Collor pop Rambo), não deixa de ser um produto recente com judiciário telenovelizado, motoca funkevangélica e programa de auditório, cujo star é Sergio Moro, o patético juiz de terninho apertado Superman grã-fino. 

Se a família mata a família, como diz a psicanálise dialética, então é preciso tomar cuidado: somos vítimas de nossas virtudes familiares.