Lenín Moreno é destituído da presidência do partido Alianza Pais

7 de Novembro de 2017, por Elaine Santos



 
Elegía a la muerte de Lenin.
I)  
Más que el canto de la vida
más que la muerte misma
más que el dolor del recuerdo
más que la angustia del tiempo
es tu presencia en el mundo.
Tu nombre de alto clima
Tu corazón de fuegos dominados
Al entrar en la tumba
Fuiste como un sol de repente en el invierno
Fuiste como un verano en la muerte
Contigo la muerte se hace más grande que la vida
Los siglos reculan ante tu tumba
 
O poema em tributo a Vladimir Lenín escrito pelo poeta chileno Vicente Huidobro e sua forma incendiária de demonstrar os grandes nomes e problemas políticos de sua época, nos recorda os homens imprescindíveis da história. Os homens do nosso tempo são produtos autênticos de decepções previsíveis em suas formas de governo e de defesa de Revolução ou mesmo de transformações, ainda que estas estejam dentro dos acercamentos liberais burgueses. São medíocres. 
 
Na realidade latino-americana nunca foi tão urgente recuperar a capacidade de refletir acerca da nossa história. Conhecer nossa condição e posição no mundo. Estudar a história dos nossos países não é um passatempo, mas sim uma necessidade para não repetirmos os erros. Como diria Lenin, o político russo, levanta-se um pouco o véu do “amigo do povo e ver-se-á aparecer o burgues ”.
 
Na quarta-feira, 01 de novembro, Lenín Moreno, atual presidente do Equador, foi destituído do partido Alianza Pais e em seu lugar foi colocado Ricardo Patino. A decisão foi unânime entre os 22 membros diretivos do partido, que afirmaram ser Lenín Moreno um inimigo da Revolução Cidadã uma vez que já não participava mais das reuniões, encontros e congressos do partido. 
 
A gestão Moreno começou este ano e desde o início vem sendo duramente criticada por ter pactuado com setores da direita. A troca de farpas virtuais com seu antecessor Rafael Correa, que atualmente mora com sua família na Bélgica, e seus apoiadores, é constante. A situação piorou depois que Lenín Moreno convocou uma Consulta à população. Apesar do processo pedagógico e politizador das consultas e plebiscitos, grande parte das pessoas entendeu que algumas perguntas poderiam levar ao favorecimento das oligarquias equatorianas, como a pergunta número sete, que pretende retirar a chamada “plus valia” que é o imposto cobrado a grandes fortunas. Outra pergunta, entre as que foram apresentadas, permitia alteração total do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social, retirando todos aqueles que não cumprem com suas obrigações. Apesar da aparente coerência da pergunta com a premissa da participação popular em todos os setores da política, sua alteração pode permitir mudanças e retiradas de conselheiros que não estejam de acordo com o alguns poderes e setores influentes de uma economia que possui grande influência do capital estrangeiro, fato constituidor de um “minicongresso” que atuaria a partir dos seus interesses. 
 
Muitos críticos ao ainda curto governo de Lenín Moreno cunharam a consulta como um golpe de estado plebiscitário, uma tentativa de girar à direita de forma legal, com aparente democracia de consulta a população. O mesmo Lenín Moreno que foi vice-presidente do Equador e que em uma avaliação após 10 anos de Correísmo afirmava que os equatorianos possuíam atualmente posição social distinta, atualmente parece ter retirado a história da realidade e agora se move mais de acordo com os interesses dos especuladores interessados nas riquezas do Equador.  
 
A situação é complexa porque divide um partido que se mostra como aparente oposição no Equador, e muito possivelmente Rafael Correa não conseguirá governar ao seu modo, caso volte, uma vez que o Equador bem como toda a América Latina vive um período de descenso devido a crise e também ao fato destes governantes à esquerda dos últimos anos, terem realizado reformas importantes, todavia, pouco impactantes no que tange as estruturas destes países agroexportadores. 
 
O que acontece no Equador é uma minúcia do que se passa neste continente colonial, ou seja, os governantes focam-se em reformas devido as grandes desigualdades sociais. São unicamente reformistas, ainda que isto não esteja sob a égide da acusação, pois as reformas são importantes, contudo, ao omitirem o estatuto colonial dentro do capitalismo mundial, perdemos todas as aparentes conquistas.  Por outro lado, direita continua igual, expropriando a linguagem de esquerda e incutindo possibilidades alternativas ao neoliberalismo como uma forma de “neutralização” das lutas radicais e esta é uma estratégia em curso na América Latina. O fato é que não há que personificar as mudanças sociais na figura de Rafael Correa, lembrando que o mesmo lidou de forma bastante contraditória quando teve oportunidades de avançar com o que denomina Revolução Cidadã. 
 
Deixemos de andar com os pés alheios, são os movimentos sociais e da sociedade que determinam os avanços e retrocessos. Echeverría fez uma análise que nos parece importante para o período dizendo que a semântica da Revolução Cidadã primou por procedimentos legais e constitucionais, esquecendo que este aporte se insere em um Estado que não é neutro. E finalizava dizendo que a Revolução Cidadã havia despolitizado a sociedade mostrando um capitalismo de Estado que desconhecia as lógicas de autogoverno e autorreferencial social. Infelizmente a história mostrou que ele tinha razão.