Panamenhos querem punição de políticos corruptos

17 de Fevereiro de 2017, por Elaine Tavares


No Panamá, movimentos sociais organizados e partidos, somados à população em geral saíram às ruas para condenar a corrupção, tema que tem tomado conta da vida do país desde as denúncias de que vários governantes da América Latina e do mundo  teriam ali contas secretas. O assunto cresceu e começaram também a aparecer informações sobre os próprios políticos locais. 

Nas últimas semanas, com o aprofundamento das denúncias nos escândalos da Odebrechet e dos Panamá Papers empresários, dirigentes de partidos políticos da direita e até o presidente Juan Carlos Varela, desaguaram numa grande crise institucional. Tantos os movimentos como os partidos de esquerda tem realizado vários questionamentos aos órgãos do estado para que esclareçam suas participações nos casos. 

Também a mídia tem feito seu papel mobilizador e a população têm saído às ruas para exigir a punição a todos os corruptos. Os protestos começaram pequenos, mas estão crescendo a cada dia. Agora o movimento  reivindica uma Assembleia Nacional Constituinte, na intenção de varrer de maneira definitiva  toda a “podridão” causada pelos governos corruptos que, segundo apontam, só tem causado pobreza à maioria do povo panamenho. 

Apesar de estar mobilizando a população que geralmente não se envolve nos movimentos da esquerda e reivindicar uma Constituinte, o movimento continua prisioneiro da lógica burguesa, uma vez que segue apostando em eleições e no parlamento. À exemplo do que já aconteceu no Brasil, o movimento anticorrupção se fortalece, mas segue com uma pauta que não questiona, de fato, o modo de produção capitalista que é, em última instância, corrupto por natureza. 

Por aqui, a movimentação anticorrupção acabou premiando os mais corruptos, que hoje seguem com mais poder dentro do Estado. Seguiremos acompanhando como se darão as coisas no Panamá.