Pedro Camejo, herói da Pátria Grande

24 de Junho de 2018, por Elaine Tavares

Negro Primero - na minha frente, só a cabeça do meu cavalo
Negro Primero - na minha frente, só a cabeça do meu cavalo

Pedro Camejo, conhecido na Venezuela como “Negro Primero”, é um herói nacional e nesse 24 de junho se recorda o dia de sua morte, em 1821.  

Não se sabe ao certa a data de seu nascimento e, segundo evidências da tradição oral, nasceu na cidade San Juan de Payara, embora os primeiros registro sobre ele falam do tempo em que era escravo de um rico proprietário da cidade de Apure, um tal Dom Vicente Alfonso. O fazendeiro, temeroso da dignidade do negro e por conta de sua maestria no manejo do cavalo, ofereceu os serviços dele às tropas realistas durantes primeiras lutas travadas contra os independentistas. Ele chegou a lutar em algumas batalhas, mas acabou desertando das tropas do rei.

Mais tarde encontrou-se com o General José Antonio Páez, que comandava tropas independentistas e foi sob seu comando que se fez lenda. Seu apelido “Negro Primero” veio da sua valentia em ser sempre o primeiro lanceiro da tropa. “Diante de mim – dizia – só a cabeça do meu cavalo”. 

Contam que quando Negro Primero se encontrou com Bolívar, em 1818, travou com ele longa conversa. Bolívar já sabia de seu valor como soldado e ficou impressionado pela fortaleza de Pedro, bem como por sua lábia. Ao ser indagado por Bolíviar porque havia entrado para o exército, não titubeou, e respondeu: a cobiça. 

Como assim? Perguntou Simón. 

E ele explicou: “Eu havia notado que todo mundo ia para guerra sem camisa e sem uma peseta, e voltava depois com um uniforme bonito e muito dinheiro no bolso no bolso. Eu quis então buscar fortuna, mas não consegui mais do que três moedas de prata, uma para o negro Mindola, uma para Juan Rafal e outra para mim”. Contou que nas batalhas só pensava em roubar as coisas dos mortos, mas que quando aprendeu com Pàez o significado do que era pátria, entendeu que o motivo de estar no exército era fazer acontecer a libertação. Desde aí sua meta era tornar a Venezuela um país livre, e fazer acontecer a Pátria Grande, tal qual queria Bolívar.

Sua trajetória no exército libertador foi de belezas e alegrias. Era simpático e conversador, mantendo sempre a tropa em alto astral. Pedro Camejo travou várias batalhas, mas não pode ver a Venezuela livre. Morreu durante a histórica batalha de Carabobo (a que marcou a vitória da independência), na qual era integrante do regimento de cavalaria da primeira divisão. Sempre na frente, como gostava. Ferido de morte, encontrou forças para chegar até o general Páez, por quem nutria muito amor, dedicando a ele seu último suspiro: “Meu general, venho te dizer adeus, porque já estou morto”. E tombou. 

Hoje, na Venezuela, Negro Primero é lembrado com honras. E leva seu nome a antiga cidade de Apure, onde foi escravo. Seus restos estão no Panteão Nacional. 

Pedro Camejo, Negro Primero, presente!