Revoluções, Contrarrevoluções e Agitações Políticas, 1900-1950

4 de Maio de 2018, por IELA

 


O livro Revoluções, Contrarrevoluções e Agitações Políticas, 1900 - 1950, organizado por Waldir José Rampinelli, Daniele Prozczinski e George Araújo será lançado nas Jornadas Bolivarianas, na terça-feira, 19h. A edição é da Editora Insular.

A primeira metade do século XX foi um período de intensa turbulência política e social. Em apenas cinquenta anos, ideologias que propunham a transformação radical do ordenamento social transformaram-se em forças políticas, a ascensão do nacionalismo étnico-linguístico alterou fronteiras de Estados, revoluções triunfaram enquanto outras foram derrotadas por contrarrevoluções, o colonialismo das potências europeias entrou em crise, dissolveram-se vastos impérios e eclodiram duas guerras mundiais. Combinados, esses eventos e processos alteraram o balanço de poder em escala global e, em grande medida, ditaram o desenvolvimento histórico até o começo da década de 1990. Muitos desses eventos ocorreram na Europa, no entanto, poucas publicações tratam dos sucedidos nas Américas, na África e na Ásia. Este livro trata de alguns desses acontecimentos, além de oferecer um panorama sobre essas décadas tão importantes para a história contemporânea.

O livro segue uma ordem cronológica, pois os eventos aqui abordados foram influenciados por acontecimentos que os antecederam. Abre com a Revolução Mexicana (1910-1920), processo revolucionário importante para os latino-americanos, porém pouco conhecido dos brasileiros. Prossegue com a análise da intensa mobilização do operariado brasileiro entre 1917-1920, com uma forte presença anarquista, mas já influenciada pela Revolução Russa de 1917, sendo muitas dessas demandas incorporadas pelo trabalhismo a partir da década de 1930. O Outubro Russo é, para muitos, a mais importante revolução do período. A par de um balanço histórico dessa transformação, examina como teóricos e estadistas da Rússia pós-revolução e autores contemporâneos trataram a problemática da determinação da economia política, um aspecto central da teoria marxiana.

Extrapolando os limites dos estudos da Revolução Russa e da guerra civil que se seguiu, em geral sob uma perspectiva orientada apenas pela atuação dos bolcheviques e do Exército Vermelho, descortina-se a ascensão e queda da Makhnovschina, movimento anarquista liderado por Makhno na Ucrânia durante a Guerra Civil Russa (1917-1921).

Uma "onda revolucionária" abalou o mundo de 1917 a 1923, como na Alemanha, onde, em meio a uma grave crise, houve uma série de tentativas de tomada do poder e promoção de uma revolução socialista, bem como no norte africano, onde o Sultanato do Egito agita-se na conjuntura revolucionária de 1919 e se revolta contra a ocupação britânica do Egito e do Sudão, com o reconhecimento da independência egípcia em 1922 por parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.

Na primeira metade do século XX, recrudesceram as lutas por mais direitos e liberdades para as mulheres, como a participação do grupo de orientação anarquista Mulheres Livres na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e no Brasil um movimento sufragista de mulheres luta pelos direitos democráticos femininos nas décadas de 1910 e 1930, um marco na história do país, as "grandes ondas do feminismo brasileiro".

Já no Extremo Oriente temos a complexa conjuntura chinesa na primeira metade do século XX, na qual comunistas, membros do Partido Nacionalista (Guomindang) e os jūnfá disputavam o poder, enfrentando ainda as forças invasoras japonesas. A constante propaganda política promovida pelo Partido Comunista Chinês, fundado em 1921, foi fundamental para que, com expressivo apoio popular, triunfasse a Revolução de 1949.

Autores

Camila Souza Marques Silva

Daniele Prozczinski

Fernanda Nunes Costa Nacif

George Araújo

Joana das Neves Calado

Michel Goulart da Silva

Raisa Sagredo

Ricardo Scopel Velho

Victor Wolfgang Kegel Amal

Waldir José Rampinelli