Venezuela fica dois dias sem luz

9 de Março de 2019, por Elaine Tavares

Marcha anti-imperialista hoje em Caracas
Marcha anti-imperialista hoje em Caracas


Não bastasse a guerra econômica movida contra a Venezuela, e todo o processo de tentativa de desestabilização gerado com o títere dos Estados Unidos, Juan Guaidó, o país viveu nessa semana um apagão elétrico que deixou a capital Caracas, e mais 70% do território, sem luz,  por quase 48 horas. 

O apagão teve início por volta das cinco horas da tarde de quinta-feira e foi total, causando problemas de toda ordem, inclusive com hospitais em colapso e o aeroporto sem poder operar. O problema foi no complexo Guri, que fica no estado de Bolívar e tem uma das maiores represas de geração de energia da América Latina, a responsável por quase 80% da geração de energia para o país.  Os motivos, passados 24 horas, ninguém conseguia detectar, o que levou o governo a denunciar uma provável sabotagem.

A oposição aproveitou a deixa para acusar o governo de má gestão na represa. 

O presidente Nicolás Maduro explicou hoje que foram detectadas falhas generalizadas no sistema elétrico por volta das cinco horas de quinta e que começaram a ser imediatamente recuperadas. Quando foi perto das sete horas da noite, o sistema da represa foi atacado novamente desde fora, provavelmente um ataque cibernético, e toda a reconexão falhou. O cérebro computadorizado do complexo foi desligado. Maduro não descarta alguma sabotagem interna, pois, segundo ele, pode haver gente infiltrada. 

Com o novo ataque das sete horas e o apagamento da parte computacional o trabalho de reconexão começou a ser feito manualmente e em torno da uma hora da manhã já da sexta feira foi registrado um terceiro ataque, com o uso de alta tecnologia eletromagnética, impedindo a religação. Na mesma hora começou também um incêndio um uma estação que é fundamental para a transmissão de energia no sul do país. Quando por volta do meio dia de sexta-feira já estava 70% do sistema em funcionamento, mais um ataque cibernético foi registrado. Só nesse sábado pela manhã o sistema começou a normalizar. “Foi um ataque orquestrado e a mando dos Estados Unidos”, afirmou Maduro.   

O ataque realizado por dentro da empresa estatal de energia Corpoelec é mais um passo do plano de desgaste promovido pela oposição, financiada pelos Estados Unidos. “É uma tecnologia bem avançada, que produz ataques eletromagnéticos contra as linhas de transmissão. Só os EUA possuem essa tecnologia”, denunciou. O presidente também informou que "há infiltrados na empresa, assim como aconteceu na greve petroleira, mas as investigações estão em andamento e os traidores serão desvelados", assegurou. 

Hoje durante uma massiva manifestação em celebração ao Dia Anti-imperialista ele conclamou a população a manter os nervos de aço, calma, máxima consciência e união nacional, para vencer mais um ataque contra a nação. Fazer da vida dos venezuelanos um inferno diário é a estratégia da oposição e dos Estados Unidos visando provocar o cansaço e a revolta. 

A oposição está sendo pródiga na divulgação via redes sociais de fotos e cenas chocantes de crianças morrendo nos hospitais que estão com falta de luz. Não há como saber se é verdade ou não, mas acabam sendo reproduzidas à exaustão, obviamente culpando o governo de Maduro pelo apagão. Até John Bolton, o Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos se manifestou no seu Twitter dizendo que o apagão foi provocado pela corrupção do governo, mostrando o quanto estão "conectados" com o que se passa na Venezuela. O seu twitter também reproduz a cada instante as postagens de Juan Guaidó. 

Hoje houve manifestação das duas frentes em confronto na Venezuela. Tanto Guaidó reuniu gente, quanto os bolivarianos marcharam massivamente para celebrar o Dia Anti-Imperialista e apoiar o governo de Maduro. A batalha segue.