Dia 11, lutas por toda América do Sul

9 de Novembro de 2016, por Elaine Tavares

Aposentados chilenos lutam por uma previdência pública
Aposentados chilenos lutam por uma previdência pública

A sexta-feira, 11, promete ser um dia de bastante movimentação na chamada “América baixa”. O Brasil chamou uma greve geral, que vem somando estudantes e trabalhadores. Aliadas às ocupações de escolas – mais de mil em todo o território, além de 170 universidade – devem acontecer paralisações em toda a área da educação, em luta contra as mudanças no ensino médio, contra a PEC da morte que congela investimentos públicos por 20 anos, contra o arrocho salarial, pela liberdade de expressão, democracia e contra a intolerância. Praticamente todas as bandeiras de luta se encontrarão na rua nesse 11 de novembro.

Na Venezuela, é o 11 de novembro que está sendo esperado para que se anuncie alguma coisa concreta das mesas de diálogo que foram abertas com a oposição. O país vive desde há dois anos uma guerra econômica e a oposição tem tentado derrubar o governo. Como as manifestações não resultaram e o referendo para a retirada de Maduro foi rechaçado por conter fraudes e irregularidades, a oposição decidiu reagrupar as forças e optou por essa pausa nas mesas de conversa. Hoje, nos jornais da capital do país, as lideranças opositoras fazem ameaças sobre o que deve ser acertado nas mesas. A Venezuela segue em movimento. 

No Chile os trabalhadores públicos encerram com marchas a terceira semana de mobilizações de luta por melhorias salariais. O governo insiste em manter a proposta de 3,2%. Na semana que passou também os aposentados saíram às ruas lutando contra o fim do sistema de pensões.

A Argentina também tem realizado grandes mobilizações de rua contra as medidas neoliberais de Macri. 

Observando bem, pode-se perceber em toda a América Latina a tentativa de governos conservadores de retomar as velhas pautas neoliberais que foram derrotadas nos anos 90, somando-se às propostas sempre presentes dos organismos internacionais como Banco Mundial, FMI, etc... Contrarreformas no ensino médio, por exemplo, é uma proposta que vem destas instituições, interessadas em manter os trabalhadores com um nível baixo de pensamento crítico. Cortes de verbas nas universidades e privatização do ensino superior é outra pauta que vive o seu eterno retorno. Programas sociais paternalistas, incentivo á intolerância e ataques à liberdade de expressão também estão no programa.

Não é sem razão, então, que os trabalhadores estejam em movimento, buscando enfrentar essa onda conservadora e avançar na consciência de classe. O processo de crise econômica que é alardeado pelos governos para aplicarem ajustes contra a população, enquanto mantém à larga os gastos com seus aliados, está fazendo água. No Brasil, por exemplo, o estado do Rio de Janeiro viveu nessa terça-feira (08) a violência dos trabalhadores públicos que chegaram a ocupar a Assembleia Legislativa contra as políticas de arrocho, destruindo boa parte das instalações. E, ainda que tenha sido uma ação comandada pelos trabalhadores da segurança (PM, Bombeiros e Polícia Civil), partidários do ultraconservador Jair Bolsonaro, mostra que os trabalhadores não se sujeitarão ao sacrifício exigido pelos governantes sem reação.

É fato que mídia comercial, sempre tão rápida em criminalizar os trabalhadores, tratou com delicadeza o movimento dos funcionários públicos do Rio de Janeiro, justamente por seu perfil conservador. Fossem outras categorias, como professores, estudantes, garis etc... a reação teria sido outra. Basta ver como essa mesma mídia tem tratado o movimento de ocupação das escolas. Silêncio total sobre o fato, só abrindo espaços para situações singulares, obviamente negativas, como foi o assassinato de um estudante num colégio do Paraná. O que tem a ver com as ocupações – que é o ataque ao ensino médio - é omitido, e o que não tem a ver – como o próprio crime em si, que não teve ligação com o movimento – é explorado à exaustão. Nada de novo se tivermos bem claro que os meios de comunicação são braços fortes da classe dominante, responsáveis pela fabricação do consenso sempre a favor das elites. 

São tempos de grandes transformações e, consequentemente, de grandes lutas.